Título: Com novo contrato, custo do Enem chega a R$ 130 milhões
Autor: Paraguassú, Lisandra
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/10/2009, Vida&, p. A18
Após cancelamento, exame está marcado para os dias 5 e 6 de dezembro
O novo contrato para a operacionalização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) custará ao Ministério da Educação R$ 99,95 milhões.
A dispensa de licitação para contratar em caráter emergencial o consórcio formado pelo Cespe, da Universidade de Brasília (UnB), e pela Cesgranrio foi publicada ontem no Diário Oficial da União. O Enem seria realizado nos dias 3 e 4 deste mês, mas foi cancelado depois que o Estado alertou o MEC sobre o vazamento da prova.
Com esse valor, o custo da nova versão do Enem, que está marcado agora para os dias 5 e 6 de dezembro, já ultrapassa os R$ 130 milhões, sem levar em conta os R$ 35 milhões já pagos ao consórcio Connasel, apontado como responsável pelo vazamento da primeira prova. O ministério pretende reaver esse valor na Justiça.
O Cespe e a Cesgranrio serão responsáveis pela operacionalização do Enem. Experientes em concursos e mesmo em versões anteriores do exame do ensino médio, as duas fundações cuidaram da aplicação da nova prova e do seu recolhimento para correção. A impressão, organização do material, embalagem e entrega nos Correios será feita pela gráfica RR Donnelly Moore, contratada há cerca de uma semana por R$ 31 milhões.
Neste ano, foram 4,1 milhões de alunos inscritos. A nota é usada por universidades como parte ou como todo o processo seletivo. Também é utilizada no Programa Universidade para Todos (ProUni). Com as novas datas, algumas universidades desistiram de adotar o exame para compor a nota de seus vestibulares - entre elas USP, Unicamp e PUC.
CONTRATO ANTERIOR
A licitação que selecionou o consórcio Connasel para a prova que seria aplicada no início deste mês alcançou R$ 116 milhões, sendo R$ 35 milhões para a impressão e o restante para distribuição e aplicação do exame.
A empresa, única candidata a participar da licitação, foi aprovada, apesar de nunca ter feito seleções no tamanho do Enem. O vazamento da prova ocorreu na gráfica, em São Paulo, em uma sala criada pela empresa Cetro - uma das participantes do Connasel - para remontar os pacotes de exame que deveriam ser distribuídos na capital paulista. Cinco pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal acusadas de participar do vazamento.
ENTENDA O CASO
As provas do Enem que seriam aplicadas nos dias 3 e 4 deste mês foram canceladas na madrugada do dia 1.º, após o Estado denunciar o seu vazamento
Cinco homens foram indiciados pelo vazamento. O mentor do crime, segundo a PF, seria Felipe Pradella, que trabalhava para o Connasel, único consórcio a participar da licitação
As novas datas do Enem, 5 e 6 de dezembro, coincidiram com a prova de diversas universidades. Algumas remarcaram seus exames. O uso do Enem na nota do vestibular foi descartado por outras, como USP e Unicamp