Título: Estado é finalista em prêmio com caso Sarney e Araguaia
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Fonte: O Estado de São Paulo, 24/10/2009, Nacional, p. A11

Os dois trabalhos estão entre os 38 selecionados do total de 520 inscritos

Duas séries de reportagens publicadas por O Estado de S.Paulo são finalistas da 54ª edição do Prêmio Esso, o mais prestigioso do jornalismo brasileiro. Dos atos secretos aos secretos atos de José Sarney, realizada pelos repórteres Leandro Colon, Rodrigo Rangel e Rosa Costa, escancarou a farra de cargos no Senado e concorre ao Esso de Reportagem. Araguaia, do repórter Leonencio Nossa, abriu os arquivos do Major Curió sobre a guerrilha e concorre na categoria Prêmio Esso Regional Sudeste.

Os trabalhos foram selecionados por uma comissão de 25 jornalistas incumbidos de analisar 520 reportagens inscritas. A série sobre os atos secretos teve início dia 10 de junho com a manchete Senado usou 300 atos secretos para beneficiar amigos, assinada por Leandro Colon e Rosa Costa. O arquivo de Curió, em reportagem de Leonencio Nossa, apareceu pela primeira vez nas páginas do Estado no dia 21 de junho. O caso dos atos secretos concorre com Voo Air France 447, publicado na revista Época, e Cura Falsificada, do jornal Estado de Minas. A reportagem do Araguaia disputa com Pecados da Arquidiocese, do jornal O Dia, e Democracia nas Favelas, do jornal O Globo.

O Esso, que surgiu em 1955, é o mais tradicional prêmio do jornalismo brasileiro. São escolhidos os melhores trabalhos em reportagem, fotografia, criação gráfica e telejornalismo. Cerca de 20 mil trabalhos já foram analisados.

Ambas as séries do Estado causaram grande repercussão. Os atos secretos do Senado resultaram em forte crise institucional, já que grande parte dos beneficiários dos boletins sigilosos era de familiares do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Sob guarida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sarney ficou no cargo, mas por pressão da opinião pública foi obrigado a anular todas as nomeações. Enquanto Sarney se defendia da tribuna, o então diretor-geral da Casa, Alexandre Gazineo, foi exonerado, o que já havia acontecido com Agaciel Maia, que caiu em março.

A série sobre os atos secretos chegou até o Maranhão. Nos autos da Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, constavam diálogos em que o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, discutia a nomeação de seus parentes para cargos no Parlamento.

A publicação da reportagem marcou o fim da série. No dia 31 de julho, Fernando Sarney obteve liminar do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que resultou na censura ao Estado, que está amordaçado até hoje.

Ao mesmo tempo em que a sociedade discutia a crise ética que vivia o Senado, a guerrilha do Araguaia ganhava novos capítulos nas páginas do Estado. Os arquivos de Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o Major Curió, que permaneceram guardados por 34 anos, trouxeram à tona a execução de 41 guerrilheiros - até então eram conhecidos 25 casos. A reportagem causou reação de entidades de direitos humanos, que já haviam pressionado por nova expedição a Xambioá, no Tocantins, e Lula pediu que arquivos fossem analisados. A série de matérias forçou o governo a reconhecer como sendo do guerrilheiro Bergson Gurjão Farias, uma das ossadas que estavam nos armários do Ministério da Justiça