Título: Capital externo na bolsa bate recorde
Autor: Graner, Fabio ; Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/10/2009, Economia, p. B1

Os investimentos estrangeiros em ações de empresas brasileiras em outubro somavam até ontem US$ 13,025 bilhões, pelos dados divulgados pelo Banco Central. O volume de ingressos no mercado acionário é recorde - a série do BC começa em 1947 -, mas, como o dado é parcial, o fechamento do mês pode ter alteração, pois ainda não se sabe qual é a tendência do mercado após a aplicação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% nessas operações e nas aplicações em títulos de renda fixa.

O valor refere-se às compras de ações no Brasil e no exterior. Apenas para as ações negociadas no País - volume que afeta as cotações do dólar -, as aplicações dos estrangeiros somam US$ 8,761 bilhões, segundo o BC.

No Ministério da Fazenda, a notícia sobre o volume de capital que entrou na bolsa este mês reforçou a defesa da taxação de 2% do IOF. A avaliação é que os dados mostram que havia excessivo afluxo de capital estrangeiro para o mercado de capitais, o que vinha provocando rápida valorização do real.

Parte importante desses recursos está associada a uma única operação: o lançamento de ações do Santander Brasil. Segundo o BC, dos US$ 13,025 bilhões, cerca de US$ 4 bilhões referem-se a ADRs (ações negociadas em Nova York) vinculadas à emissão do banco. Em setembro, o saldo líquido de ingressos de estrangeiros no mercado de ações havia sido bem menor, de US$ 3,987 bilhões.

No ano, considerando o saldo parcial de outubro, os investimentos em ações somam US$ 30,292 bilhões (dos quais US$ 25,79 bilhões em operações na Bovespa). O valor é quase o dobro dos US$ 17,691 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED), destinado à produção.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que ainda é cedo para avaliar o impacto do IOF sobre capital estrangeiro. "Por enquanto, não há nada de novo após a medida."

Altamir ressaltou que os ingressos para o mercado acionário brasileiro estão relacionados às perspectivas positivas para a economia brasileira. "A bolsa ficou bastante atrativa, por isso passou a receber recursos expressivos", afirmou, destacando que, além do impacto da operação específica do Santander, há ingressos de maneira disseminada no mercado brasileiro.

Diante de um volume tão expressivo de moeda estrangeira, as compras de dólares pelo BC no mercado à vista já somam US$ 6,429 bilhões em outubro, até o dia 21. A cifra é quase a metade do volume de dólares que entraram no País para várias operações - incluindo renda fixa e IED. O restante - cerca de US$ 6,5 bilhões - foi adquirido pelos bancos. Com essa compra, as instituições financeiras passaram a ter estoque de dólar, o que no jargão do mercado é conhecido como "estar comprado". Para analistas, essa estratégia pode refletir a crença em alta da moeda americana.