Título: Shannon entra no diálogo de Honduras
Autor: Mello, Patrícia Campos
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/10/2009, Internacional, p. A13

Indicado para ser embaixador dos EUA no Brasil vai a Tegucigalpa para encontro direto com Zelaya e Micheletti

Com as negociações travadas e a eleição presidencial hondurenha cada vez mais próxima, o Departamento de Estado dos EUA decidiu enviar para Tegucigalpa Thomas Shannon, atual secretário-assistente para Assuntos Hemisféricos. Ao anunciar o envio de Shannon, o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, qualificou o impasse em Honduras de "urgente".

O funcionário americano - que chega hoje em Tegucigalpa - terá a difícil missão de dar novo impulso ao chamado diálogo de Guaymuras, negociação sobre a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya, iniciada há três semanas. O presidente Barack Obama designou Shannon embaixador no Brasil. A nomeação, porém, está travada no Senado. Em represália ao apoio de Obama a Zelaya, republicanos recusam-se a confirmar Shannon para o cargo, assim como o novo chefe da diplomacia para a América Latina, Arturo Valenzuela.

Shannon deverá se encontrar pessoalmente tanto com o presidente de facto, Roberto Micheletti, quanto com Zelaya - abrigado desde 21 de setembro na embaixada brasileira.

O diálogo entre os rivais está suspenso. Os dois lados não se entendem sobre qual poder deve determinar - ou não - a restituição de Zelaya. O campo do presidente deposto afirma que o foro adequado é o Congresso. Micheletti exige que a Suprema Corte examine a questão.

Em junho, o Judiciário hondurenho determinou a deposição de Zelaya. Em seguida, considerou inconstitucional a Proposta de San José, texto elaborado pelo presidente costa-riquenho, Oscar Arias, que serve de base para as negociações. Após duas decisões contrárias à restituição, a Corte dificilmente voltará atrás para recolocar Zelaya na presidência até o fim de janeiro, quando acaba seu mandato.

Os hondurenhos elegerão um novo presidente em 29 de novembro. "Queremos uma eleição com a legitimidade que Honduras merece", disse Kelly.

Os EUA declararam que não reconhecerão um governo eleito sem a restituição de Zelaya. Republicanos, porém, atacam o gelo imposto a Tegucigalpa e exortam Obama a rever sua posição sobre as eleições.

Pesquisa do Instituto Gallup indica que 76% dos hondurenhos acreditam que a eleição é a solução para a crise. A mesma sondagem mostra o candidato Porfírio "Pepe" Lobo, do Partido Nacional, com 59% das intenções de voto.