Título: Alemanha e França crescem e tiram União Europeia da recessão
Autor: Mello, Patrícia Campos
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/11/2009, Economia, p. B9
O Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat) anunciou ontem, em Bruxelas, que a zona do euro deixou a recessão no terceiro trimestre deste ano. Segundo suas projeções econômicas - cujos números ainda não são definitivos -, os 16 países que usam a moeda única teriam crescido mais do que o esperado no último período: 0,5% (era previsto 0,2%). Em 2010, o crescimento deverá alcançar 0,7%, ante 0,1% esperado no prognóstico anterior, chegando a 1,5% em 2011.
As informações constam do relatório de perspectivas econômicas da Comissão Europeia, atualizado ontem, e ainda precisam ser confirmadas na próxima semana, quando os 27 países-membros do bloco divulgarão seus números relativos ao terceiro trimestre. O estudo reforça a previsão de que as duas maiores economias da região, Alemanha e França, puxariam a União Europeia para fora da recessão.
"A economia da UE está saindo da recessão. Isso se deve, em grande parte, às medidas ambiciosas implementadas pelos governos, bancos centrais e pela Comissão Europeia, que não apenas evitaram o desmoronamento do sistema, mas favoreceram o relançamento da atividade", definiu Joaquín Almunia, comissário europeu de Assuntos Econômicos.
Bruxelas afirma que o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) deve alcançar 4% em 2009 - prognóstico que não foi alterado -, antes de retomar a trajetória de crescimento. Na Alemanha, a contração deve chegar a 5% do PIB neste ano, antes de acelerar a 1,2% em 2010 e a 1,7% em 2011. Na França, o tombo neste ano será menor: -2,2%, graças aos estabilizadores automáticos - o termo técnico do aparato de bem-estar social do país. Em 2010, a previsão será de crescimento de 1,2% e em 2011, 1,5%. As previsões negativas são mantidas para a Itália (-4,7% em 2009) e para o Reino Unido (- 4,6%).
Os prognósticos cada vez mais otimistas confirmam o descolamento entre a recuperação do PIB e a situação do emprego, que continua em baixa.