Título: Crise deixou os líderes mundiais humildes, diz Lula
Autor: Warth, Anne ; Pinto, Lucinda
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/11/2009, Economia, p. B3
Para o presidente, ninguém mais tem tanta certeza
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a crise econômica teve como principal benefício abalar as certezas, provocar discussões e trazer humildade aos líderes mundiais.
"Ninguém mais tem certeza de tudo, como tinha há alguns anos. Está todo mundo mais humilde", afirmou. "Eu participo das reuniões do G-20 (grupo das maiores economias emergentes e desenvolvidas) e nunca vi gente tão humilde."
Lula também voltou a criticar o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que sempre tiveram muitos "palpites" quando as crises estavam concentradas nos países pobres. Mas quando a crise explodiu nos países ricos, continuou, nenhum dos organismos internacionais tinha a solução.
"Muitos governantes não pensaram em solução porque, nos últimos 20 anos, esqueceram de governar, acharam que o mercado por si só resolveria o problema dos países", afirmou.
O presidente enfatizou que não acredita no Estado gestor, que "atrofia" a máquina. Mas defende o Estado como indutor e regulador, "para garantir que não haja nenhum segmento esquecido de participar do desenvolvimento".
"Essa crise nos obriga a pensar que modelo de desenvolvimento nós queremos. Como vamos tratar o sistema financeiro", disse Lula, acrescentando que a crise ainda mostrou que o sistema financeiro do Brasil é um dos mais organizados, enquanto "países que pareciam ser exemplares do ponto de vista da seriedade estavam órfãos do ponto de vista do controle do Banco Central".
Em seu discurso, Lula comentou que, ultimamente, tem ido mais à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) do que à CUT. "E toca que o (José) Serra vai querer ir mais à CUT. É preciso ter um certo equilíbrio", brincou o presidente, fazendo referência ao governador de São Paulo, que estava também presente ao 2º Fórum Econômico Brasil-Itália.