Título: Promotoria de NY vai investigar a Universal
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/11/2009, Vida&, p. A16
Pedido foi feito por promotores paulistas; objetivo é rastrear dinheiro de 15 contas bancárias
A Promotoria Criminal de Nova York abriu investigação contra o bispo Edir Macedo e mais nove integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus por suspeita de estelionato, desvio de recursos e lavagem de dinheiro em território americano. O pedido de apuração foi feito pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), por intermédio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgão ligado ao Ministério da Justiça. Desde agosto, Macedo e outros nove diretores da Universal respondem a processo na 9ª Vara Criminal da capital, acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Estão na mira dos promotores americanos 15 contas abertas em bancos de Miami, Jacksonville e Nova York. Ainda não há prazo para o envio de resultados para as autoridades brasileiras. Tudo vai depender da resposta dos bancos aos pedidos de quebra de sigilo. A equipe será chefiada pelo promotor Adam Kaufmann, o mesmo que em 2005 conseguiu que o Grande Júri de Manhattan decretasse a prisão do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf - ele nega desvio de recursos nas obras públicas que contratou em sua gestão (1993-1996).
O pedido de abertura de investigação e quebra de sigilo bancário das contas da Universal nos Estados Unidos foram acompanhas de documentação e depoimentos colhidos pelo Gaeco ao longo de dois anos. Os nomes dos colaboradores são mantidos sob sigilo.
O objetivo dos promotores americanos é tentar rastrear o caminho do dinheiro da Universal. Segundo a denúncia do MPE, tudo começa com o pagamento de dízimo dos fiéis. Os recursos amealhados seriam enviados para empresas de fachada, abertas por membros da igreja, e depois repatriados, também por empresas de fachada, para contas de pessoas físicas de ligadas à igreja. A suposta manobra seria usada para encobrir a origem do dinheiro, usado na compra de TVs, rádios, gráficas e outros bens.
Para o MPE, a questão não é quanto a Universal arrecada, mas como aplica os recursos. Pela lei brasileira, igrejas são isentas do pagamento de tributos porque não visam lucro e, em tese, destinam seu dinheiro para obras sociais e o exercício da fé religiosa. A acusação sustenta que esse "desvio de finalidade" burla a lei tributária.
Procurado, o advogado Arthur Lavigne, que defende a igreja, não havia retornado as ligações até as 21 horas.
NÚMEROS
R$ 8 bilhões foram movimentados pela Igreja Universal, de 2001 a 2008, em operações consideradas atípicas, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras
R$ 300 milhões teriam sido movimentados no exterior, entre 2002 e 2007