Título: Produção sobe pela 5ª vez seguida na zona do euro
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/11/2009, Economia, p. B9

Atividade industrial cresce 0,3% em setembro e indica saída da recessão

A produção industrial na zona do euro voltou a subir em setembro, pelo quinto mês consecutivo, indicou ontem, em Bruxelas, o Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat). O índice foi positivo em 0,3% na zona do euro, formada pelos 16 países que adotam a moeda, e de 0,2% no conjunto dos 27 países da União Europeia. No apanhado dos últimos 12 meses, a queda é brutal, mas menor que a esperada pelos analistas: 12,9% na Europa Ocidental e 12,1% em todo o bloco.

De acordo com o Eurostat, o crescimento em setembro foi menor que o de agosto - quando a indústria da zona do euro produziu 1,2% mais no mês, e a dos 27 países, 0,8% - por razões sazonais.

Ainda que tímido, o crescimento na produção industrial europeia foi puxado pelos bens de consumo não duráveis, com aumento de 1,1% na zona do euro e de 0,6% na UE. Em compensação, houve decréscimo na produção de bens duráveis, chegando a recuo de 6% na zona do euro e 4,8% na UE. Sete países registraram performance positiva, entre os quais Irlanda (11,2%), Alemanha (3%) e Suécia (1,6%), enquanto 11 tiveram desempenho negativo. Itália, Portugal e Bulgária, com recuos de 5,3%, 3,3% e 2,6%, as piores cifras.

As estatísticas sobre a indústria, que representa 17% do Produto Interno Bruto (PIB) europeu, reforçam a perspectiva de que a UE esteja deixando a recessão. O Eurostat anuncia hoje os dados relativos ao terceiro trimestre de 2009. Conforme as próprias previsões divulgadas pelo instituto há 10 dias, o crescimento do bloco de 27 países deve ficar em 0,5% - encerrando o ciclo recessivo. A tendência é de que o desempenho seja mais uma vez puxado pela Alemanha e pela França. A expectativa se volta para os números da Itália e da Espanha, quarta e quinta economias da região, que até aqui registram performances negativas. O Reino Unido, terceira economia do bloco, já anunciou que permanece em recessão, completando seu quinto trimestre consecutivo no vermelho.

A recuperação da zona do euro, provavelmente, será mais forte do que as autoridades do Banco Central previam, mas a inflação deve permanecer abaixo da meta de "pouco abaixo de 2% no médio prazo" até 2011, mostrou o boletim mensal do BCE, divulgado ontem.