Título: Expectativa aumenta, mas ainda falta número
Autor: Balazina, Afra ; Escobar, Herton
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/11/2009, Vida&, p. A19
Negociadores brasileiros afirmam que Estados Unidos só devem apresentar metas depois de aprovação de leis no Congresso
As declarações do presidente americano Barack Obama podem ter reaquecido as esperanças para um acordo forte em Copenhague, mas não foram suficientes para convencer diplomatas brasileiros de que os EUA apresentarão uma meta de redução de emissões.
"Não vejo os Estados Unidos se comprometendo com números", disse um diplomata brasileiro que participa das negociações. Segundo ele, é possível que o país se comprometa a apresentar, no futuro - após a votação da lei americana de mudanças climáticas no Congresso -, uma "meta quantificada de redução" de emissão de gases do efeito estufa. O projeto de lei, porém, só deve ser apreciado no primeiro semestre de 2010.
O negociador avalia que o vai-e-vem de Obama pode ter ocorrido em razão de a expressão "acordo político" ter assumido um caráter negativo, de diluição de compromissos.
O primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen, também mudou seu discurso. No domingo, disse que seria possível chegar a um acordo político em Copenhague que estabelecesse diretrizes básicas e um novo prazo para negociação, mas que seria impossível definir as metas específicas de redução neste momento.
Ontem, entretanto, ele afirmou que o presidente Barack Obama apoiou sua proposta para um acordo político abrangente em Copenhague, com metas dos países industrializados para reduzir as emissões e para fornecer fundos para os países menos desenvolvidos conseguirem combater os efeitos das mudanças climáticas. "O presidente norte-americano aprovou a nossa abordagem, o que implica que todos os países desenvolvidos terão de trazer uma meta forte de redução para a mesa de negociações em Copenhague", disse Rasmussen.
"Isso tudo faz parte do jogo político. Vai ser assim até o último minuto das negociações", disse André Ferretti, o coordenador do Observatório do Clima, uma rede de ONGs brasileiras.
PREPARAÇÃO
Ontem foi o último dia da reunião ministerial preparatória para Copenhague. Segundo o governo brasileiro, a conclusão de países em desenvolvimento e de nações europeias presentes ao encontro é que não é obrigatório um acordo em bases jurídicas até dezembro. Mas eles consideram essencial um acordo político que quantifique as metas de redução das emissões de gás carbônico e de recursos disponíveis. "O Brasil quer muito um acordo que não tenha só princípios, mas medidas concretas", disse a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
REPERCUSSÃO
André Ferretti Coordenador do Observatório do Clima
"Isso tudo faz parte do jogo político. Vai ser assim até o último minuto."
Lars Rasmussen Primeiro-ministro da Dinamarca
"Todos os países desenvolvidos terão de trazer uma meta forte de redução para a mesa de negociações."