Título: EUA falam em novas sanções contra o Irã
Autor: Trevisan, Cláudia
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/11/2009, Internacional, p. A15
Rejeição de Teerã a proposta sobre urânio contraria a Casa Branca
Os Estados Unidos começaram a discutir com seus parceiros internacionais a aplicação de sanções contra o Irã, afirmou ontem o presidente Barack Obama, logo depois de o país muçulmano ter rejeitado o acordo proposto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre seu programa nuclear. Durante seu giro pela Ásia, o líder americano também anunciou que o enviado especial Stephen Bosworth irá à Coreia do Norte no dia 8 para iniciar negociações bilaterais com o regime de Pyongyang.
Os "potenciais passos" que poderão ser adotados em relação ao Irã serão definidos nas próximas semanas, afirmou Obama em visita à Coreia do Sul, sem detalhar quais seriam as sanções. Na terça-feira, ele já havia declarado, em Pequim, que haveria "consequências", caso Teerã não desse ao mundo garantias de que seu programa nuclear é pacífico e transparente.
Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, França e Rússia - que integram o Conselho de Segurança da ONU - e a Alemanha reúnem-se hoje em Bruxelas para discutir a recusa do Irã à proposta da AIEA, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
Teerã rejeitou o acordo para processar no exterior 75% de seu urânio enriquecido, que seria transformado em combustível nuclear e devolvido ao país persa para uso pacífico em usinas de energia. O processamento seria realizado na Rússia e na França e atrasaria em pelo menos um ano o desenvolvimento da capacidade do Irã de produzir armas nucleares, na avaliação da AIEA.
"Nós não vamos repetir o que ocorreu em relação à Coreia do Norte, com a qual as conversas continuam para sempre, sem uma real solução para o problema", declarou Obama em entrevista concedida em Seul, a última etapa de sua visita de oito dias à Ásia, que também o levou ao Japão, Cingapura e China.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou à agência Reuters que sanções fazem parte da "literatura dos anos 60 e 70". "Acredito que eles são sábios o bastante para não repetir experiências fracassadas", disse Mottaki em Manila, capital das Filipinas.
Ao lado do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, Obama defendeu o fim do círculo vicioso em torno das negociações com a Coreia do Norte, que realizou em maio seu segundo teste nuclear em três anos.
"Quero enfatizar que o presidente Lee e eu concordamos com a necessidade de quebrar o padrão que existiu no passado, pelo qual a Coreia do Norte adota um comportamento provocativo, depois se mostra disposta a retomar as negociações, conversa por um período e depois deixa as conversas para buscar concessões adicionais", advertiu Obama.
GARANTIAS
A negociação direta com os EUA é uma reivindicação de Pyongyang, que busca normalizar suas relações com Washington e obter garantias de que não será alvo de ações militares.
Tecnicamente, a Coreia do Sul ainda está em guerra com a Coreia do Norte, já que o tratado que colocou fim à Guerra da Coreia, em 1953, declarou um armistício e não a paz.
"Se a Coreia do Norte estiver preparada para dar passos concretos e irreversíveis para cumprir suas obrigações e abandonar seu programa nuclear, os Estados Unidos darão apoio econômico e ajudarão a promover sua total integração na comunidade das nações", ressaltou Obama.
Seu colega sul-coreano reconheceu a dificuldade do desafio. "Convencer a Coreia do Norte a abandonar seu programa nuclear não é uma questão simples", declarou Lee. "Não será fácil, mas eu acredito que é possível resolver o problema pacificamente."
Anteontem, a agência oficial de notícias norte-coreana afirmou que os Estados Unidos e a Coreia do Sul estão em busca de um pretexto para uma "guerra de agressão" contra a Coreia do Norte e alertou que os norte-coreanos estão preparados para sacrificar suas vidas em defesa do socialismo do país, "que é o melhor em todo o mundo".