Título: Honduras afeta laços de Brasil com Washington
Autor: Mello, Patrícia Campos
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/11/2009, Internacional, p. A18
Senador e conselheiro de Obama exorta País a reconhecer eleições
A crise em Honduras está causando tensão entre Brasil e EUA. Ontem, o senador Richard Lugar, líder dos republicanos na Comissão de Relações Exteriores e confidente do presidente Barack Obama, divulgou um comunicado exortando o Brasil a reconhecer as eleições em Honduras, independentemente da volta do presidente deposto Manuel Zelaya ao poder. "Se as eleições do dia 29 cumprirem parâmetros internacionais de equilíbrio e transparência, eu apoio fortemente seu reconhecimento; países da região, o Brasil em particular, devem considerar o reconhecimento do resultado como a única maneira de os hondurenhos ultrapassarem a crise que já dura cinco meses", disse Lugar no comunicado. Para os americanos, o Brasil vem apenas batendo na tecla de que não reconhecerá as eleições se Zelaya não for restituído, mas não ofereceu nenhuma alternativa viável.
"O Brasil não está sendo pragmático, não existe nenhuma possibilidade real de Zelaya ser restituído antes da eleição", disse ao Estado uma fonte do governo americano. "Eles não estão ajudando, não ofereceram nenhuma solução construtiva." Os EUA estão praticamente isolados - na região, apenas Panamá e Colômbia declararam que reconhecerão a votação de qualquer maneira. Ontem, numa declaração conjunta, Brasil e Argentina reiteraram que não reconhecerão as eleições se elas forem conduzidas pelo governo de facto.
Um diplomata brasileiro afirmou que os EUA "estão reféns de sua política doméstica" no posicionamento em relação a Honduras, "e o Brasil não vai se submeter a isso". A ala mais conservadora do Congresso vê Zelaya apenas como um aliado o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e não considera que sua remoção do poder tenha sido um golpe de Estado.
EMBAIXADOR NO BRASIL
A nomeação de Thomas Shannon para ocupar a embaixada dos EUA no Brasil continua bloqueada pelo senador republicano GeorgeLeMieux. Uma carta de democratas foi enviada a ele pedindo o desbloqueio. "Isso vai nos custar milhares de empregos", disse um dos signatários, Bernard Aronson, à TV Bloomberg. Para ele, a falta de um embaixador pode custar à Boeing a concorrência de US$ 7,5 bilhões para fornecer caças para a Força Aérea Brasileira. "É um insulto ao Brasil dizer que não são importantes o suficiente para ter um embaixador, mas que queremos que eles comprem os nossos aviões e não os franceses", disse Aronson.