Título: Longa noite no Congresso
Autor: Simão, Edna
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/11/2009, Economia, p. B4

Grupo pressiona deputados para a votação de reajuste

Dez horas de ontem e a aposentada Maria Norberta da Fonseca,72 anos, estava deitada no chão de granito do corredor de acesso ao Salão Verde da Câmara, com outros aposentados. Desde a tarde do dia anterior, um grupo de cerca de cem manifestantes pressionava os deputados para a votação da proposta de estender o mesmo índice de reajuste do salário mínimo para as aposentadorias acima desse valor.

Com a cabeça apoiada na bolsa como um travesseiro, ela contou histórias de aposentados que estão com as aposentadorias achatadas por causa da aplicação de índices diferentes para os reajustes do salário mínimo e dos benefícios acima desse valor.

CARAVANA

A aposentada de Minas Gerais faz parte da caravana da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap) que, rotineiramente, faz manifestação às terças e quartas-feiras na Câmara.

Dessa vez, a segurança da Casa bloqueou a passagem do grupo para o Salão Verde e a solução foi dormir no corredor. O senador Paulo Paim (PT-RS), autor desse e de outros dois projetos que beneficiam os aposentados, esteve na madrugada levando apoio ao grupo.

O projeto do reajuste das aposentadorias chegou a entrar na pauta de votação neste mês, mas foi retirado pelos governistas. O Executivo argumenta que a aprovação da proposta resultará em um rombo nas contas públicas.

Ontem, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), condicionou a votação dos projetos que beneficiam os aposentados a um acordo entre os líderes.

FATOR PREVIDENCIÁRIO

Além dessa proposta, está pronta para votação no plenário o projeto que acaba com o fator previdenciário, o mecanismo criado para adiar as aposentadorias. Esse projeto foi aprovado na terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

"Só ouvindo todos os líderes que os projetos vão para a pauta. Não dá para ter um grande litígio no plenário", disse Temer.

Ele defendeu que o governo se reúna com os representantes dos aposentados para chegar a um acordo.

"Tem de haver um entendimento com o governo. Não é possível que os aposentados venham diariamente à Câmara sem uma solução acordada com o governo", disse.

O governo propõe conceder um aumento em torno de 6% para as aposentadorias com valor acima do salário mínimo, o que significaria um aumento real de 2,5%, além da inflação. Além disso, quer fixar uma nova regra para substituir o fator previdenciário. A Cobap não concorda com a alternativa proposta pelo governo.