Título: Aproximação com militares é alvo de críticas de ativistas
Autor: Arruda, Roldão
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/11/2009, Nacional, p. A12
Nelson Jobim, que faz parte dos quadros do PMDB no governo federal e já integrou o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, assumiu o Ministério da Defesa em julho de 2007. A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, substituiu Waldir Pires, que havia se desgastado com a crise aérea.
Em relação à área militar, Jobim assumiu desde o início um tom de aproximação, procurando melhorar ao máximo o diálogo com os chefes das tropas. Essa posição do ministro tem provocado críticas na área de organizações de direitos humanos e atritos com outras áreas do governo do presidente Lula.
Jobim defendeu a posição dos militares contra a demarcação em área contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. E com isso se opôs ao ministro Tarso Genro, da Justiça.
Para o ministro Paulo Vannuchi, de Direitos Humanos, que agora enfrenta Jobim no debate sobre a apuração de crimes cometidos durante a ditadura militar, essas divergências fazem parte do funcionamento de um governo de coalizão. Ele também observa que o presidente é um hábil negociador e no final acaba sempre encontrando uma solução que satisfaça as diferentes partes.
Internamente, Jobim é considerado um parceiro aberto ao diálogo, com um passado político de perfil democrático, tanto na Assembleia Nacional Constituinte quanto no Congresso. O temor dos defensores dos direitos humanos é que ele use seu prestígio político para impedir avanços no esclarecimento de violações ocorridas nos anos do regime militar, blindando arquivos e pessoas envolvidas com os crimes.
Dias atrás, na USP, ao falar sobre as dificuldades de acesso aos arquivos militares dos anos da ditadura, o advogado Belisário dos Santos Júnior, integrante da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e ex-secretário de Justiça de São Paulo, no governo de Mário Covas, disse que existem setores no País que resistem até hoje à democracia. "Uma parte do Estado brasileiro evoluiu e veio para a democracia. Mas uma outra parte ainda não saiu de lá", afirmou.