Título: Damos de 400 a zero neles no setor elétrico
Autor: Oliveira, Clarissa
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/11/2009, Economia, p. B4

Ministra da Casa Civil reforça comparação com tucanos O governo e o PT trabalham nos bastidores para impedir que o day after do apagão prejudique a imagem de "boa gestora" da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do partido à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O esforço do Planalto é para virar rapidamente a página do blecaute e criar fatos positivos que mostrem Dilma como mulher que faz, substituindo a agenda negativa por compromissos ambientais.

Mesmo empenhados em não esticar a polêmica do apagão, petistas reforçaram a coleta de dados para comparar a gestão de Lula com a de Fernando Henrique no setor elétrico. Trata-se, na definição de coordenadores da campanha de Dilma, de trabalho "preventivo" para rebater a artilharia tucana.

"Damos de 400 a zero neles também no setor elétrico", disse Dilma ao Estado. Na terça-feira, em visita ao Rio, a ex-titular de Minas e Energia disse que a oposição estava fazendo de tudo para evitar comparações porque o governo anterior perdia de Lula "por 400 a zero".

Na tentativa de afastar a imagem de antiambientalista e se contrapor, de uma só tacada, à senadora Marina Silva (PV-AC) e ao governador José Serra (PSDB), ambos potenciais adversários do PT na disputa ao Planalto -, Dilma passou a vestir o figurino "verde".

"Eu sou responsável pela existência do biodiesel no Brasil, por determinação do presidente Lula, e por não deixar a bola cair, lutando o tempo inteiro por hidrelétricas", insistiu a chefe da Casa Civil, na quinta-feira, quando indagada pelo Estado se, ao empunhar a bandeira ambiental, procurava atenuar a pecha de "desenvolvimentista" e "destruidora" da Amazônia. Dilma sorriu. "Se tivéssemos desmatamento e matriz energética suja, aí, sim, estaríamos lascados."

Às vésperas de chefiar a delegação brasileira que vai a Copenhague, em dezembro, para a Conferência das Nações Unidas sobre o clima, Dilma entra na seara ambiental no momento em que Serra procura se adiantar ao Planalto nesse capítulo.

Dilma anunciou ontem que o governo Lula levará a Copenhague o "compromisso voluntário" de reduzir de 36,1% a 38,9% as emissões de gases de efeito estufa até 2020. Há poucos dias, o governador tucano divulgou que São Paulo tem como meta cortar 20% desses gases.

A senadora Marina, ex-ministra do Meio Ambiente que trocou o PT pelo PV, já comprou várias brigas com Dilma por causa desse tema e é vista pelo eleitorado como a candidata dos "verdes".

Disposto a recuperar o terreno perdido, o Planalto transformou a cerimônia de anúncio do menor desmatamento da Amazônia nos últimos 21 anos em palanque para a chefe da Casa Civil. "Não há divisão entre desenvolvimentistas e ambientalistas", garantiu o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, seguindo estratégia do comando da campanha petista. "Todo o governo veste a camisa verde, ambientalista".

A visita de hoje ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, também está no roteiro traçado para "vender" a nova imagem da ministra. Com Dilma a tiracolo, Lula conversará com Sarkozy, em Paris, na tentativa de fechar uma posição conjunta dos dois países para a cúpula de Copenhague. São muitos os holofotes para a agenda ambiental até a eleição de 2010.