Título: País precisa de nova convergência, diz Aécio
Autor: Kattah, Eduardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/11/2009, Nacional, p. A8

Governador quer decisão sobre candidato do PSDB até janeiro de 2010

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), defendeu ontem a necessidade de uma nova convergência política para que o País avance no futuro governo. Pré-candidato à Presidência em 2010, ele mantém a posição de anunciar sua candidatura ao Senado caso a definição sobre o presidenciável tucano não ocorra até janeiro, mas tem procurado amenizar as cobranças por uma decisão do partido, evitando o tom de ultimato.

"Eu continuarei dizendo que nós temos que de alguma forma aliar as nossas preocupações com o momento pré-eleitoral com aquelas que teremos durante e também após as eleições", insistiu, após solenidade no novo centro administrativo do Estado. "Para que tenhamos um governo em condições de fazer reformas, em condições de tomar as medidas que precisam ser tomadas, o Brasil precisará de uma nova convergência política".

Aécio disputa a vaga de candidato à Presidência do PSDB com o governador de São Paulo, José Serra, mas tem assegurado apoio ao paulista caso ele seja o escolhido. Serra quer empurrar para março do ano que vem a definição do candidato.

O principal argumento do tucano mineiro é sua capacidade de aglutinar outras forças partidárias, inclusive legendas que hoje estão na base de sustentação do governo Lula. Anteontem, porém, ele ponderou, afirmando que acredita que Serra também tem condições de buscar atrair alguns aliados, partidos e forças não partidárias da sociedade civil.

FIDELIDADE

Diante do prazo estabelecido por ele mesmo, Aécio afirma que seu nome continua à disposição do partido. "Acho que o Brasil está pronto para uma nova convergência política, e caberá ao partido tomar a decisão. Qualquer que seja ela, estarei participando desse projeto".

Questionado novamente sobre sua relação com deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que recentemente afirmou que poderia abdicar de sua candidatura presidencial caso Aécio seja o candidato tucano, o governador mineiro desconversou e preferiu filosofar. "Na política, você tem que acreditar em determinados momentos na movimentação natural das correntes, como no mar. Vamos deixar agora que as correntes se manifestem, se movimentem, e, como dizia Tancredo, depois que a onda bater na areia, vamos ver como que fica a espuma".