Título: Lula volta a dizer que não reconhecerá líder eleito
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/11/2009, Internacional, p. A10
Se havia divergências entre membros do governo brasileiro sobre Honduras, a palavra final foi dada. Antes mesmo de saber o resultado da votação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem, em Estoril, Portugal, que o Brasil não reconhecerá o presidente eleito ontem. Para Lula, trata-se de "firmar posição contra um processo eleitoral coordenado por golpistas".
As declarações foram feitas em rápida entrevista durante sua chegada a Portugal para a Cúpula Ibero-Americana, que começa hoje. Lula disser ter discutido o tema com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que está em Genebra, na Suíça, para uma cúpula da Organização Mundial do Comércio (OMC).
"No caso de Honduras, tive uma conversa com o (chanceler) Celso Amorim e lhe disse que o Brasil não tem por que repensar nada", afirmou. "Precisamos, às vezes, manter nossas convicções sobre as coisas, porque isso serve como alerta para outros aventureiros."
OBAMA
Lula argumentou que o processo eleitoral hondurenho foi coordenado por um governo golpista, o que é "inadmissível". Ele afirmou que alguns países poderão reconhecer o futuro governo hondurenho, mas não acredita que isto signifique que haja "divisão" na América Latina.
"Cada país tem sua soberania. Vejo que na União Europeia, que está tentando construir uma unidade há 50 anos, há países que aprovam uma coisa e outros que não aprovam. Eles não veem isso como uma divisão, mas como uma consequência normal do exercício da democracia em cada país."
O presidente brasileiro descartou também uma crise com os EUA. Ele disse - sem fornecer detalhes - ter respondido na sexta-feira a carta enviada pelo presidente americano Barack Obama. "Obviamente, temos discordâncias sobre como foi tratada a questão de Honduras. Mas, se entre dois chefes de Estado não houver discordância, não tem graça", brincou.
CRISE
O tema da Cúpula Ibero-Americana deveria ser "Inovação e Tecnologia", mas a crise hondurenha tomou conta do encontro. Da "agenda informal" também constam as tensões entre Colômbia e Venezuela e Chile e Peru. Os dois dias de reuniões - hoje e amanhã - terão a presença de 22 países da América Latina, além de Portugal e Espanha.