Título: Sem acordo reunião da OMC deva chamar atenção pelos protestos
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/11/2009, Economia, p. B18
Sem um acordo para ser assinado nas salas de reunião, as atenções se voltam para o que vai ocorrer nas ruas de Genebra. Via Campesina, sindicatos e entidades antiglobalização prometem para sábado um protesto para marcar os dez anos da Conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle e, mais uma vez, pedir que não haja uma liberalização comercial. Naquele momento, os ativistas lutavam contra a ideia de lançar a negociação. O protesto marcou o movimento antiglobalização. Agora, as mesmas entidades apelam para que o acordo seja abandonado diante da crise.
A polícia suíça já se preparou para o pior dos cenários, com um forte esquema de segurança e arames farpados espalhados pela cidade. Mas até ontem ninguém sabia dizer quantos seriam os manifestantes que enfrentariam o início do inverno suíço para manifestar nas ruas de Genebra.
Os ativistas insistem que serão mais de 5 mil a manifestar, incluindo fazendeiros, pescadores, representantes de consumidores e operários. O lema da campanha: "Nosso Mundo não está à Venda".
Para os ativistas, a agenda da OMC não condiz com a atual realidade do mundo. "Trata-se de uma agenda de um mundo pré-crise", afirma um comunicado das entidades. O que as entidades querem é não apenas que a Rodada seja interrompida, mas sim que a liberalização já feita nos últimos anos seja revista.
"Expandir o modelo de abertura comercial apenas vai aumentar a crise em que vivemos", disseram as ONGs. As entidades chegam a acusar ainda o modelo proposto pela OMC de estar contribuindo para aumentar as emissões de CO2. A ideia que as entidades defenderão será de abandonar a Rodada Doha e "construir uma nova ordem econômica mundial".
Mas a própria imprensa internacional não vem mostrando mais o mesmo interesse pela entidade como nas conferências passadas. Em 2005, na última reunião ministerial em Hong Kong, mais de 3 mil jornalistas estiveram presentes na cidade asiática. Dessa vez, a OMC recebeu menos de 400 pedidos de credenciais para jornalistas.