Título: Era apenas projeção para doações legais, alega autor
Autor: Colon, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/12/2009, Nacional, p. A4
Procurado pelo Estado, o presidente do PSDB-DF, Márcio Machado, preferiu se manifestar por meio de seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. O tucano confirmou ser o autor da planilha obtida pela reportagem e apresentou a versão de que o documento, esquecido por ele em 2007 numa emissora de TV, era o balanço final de uma projeção de empresas que poderiam doar legalmente para a campanha de José Roberto Arruda.
"O tesoureiro pediu a ele (Márcio Machado) que "listasse" algumas empresas que, no entendimento do Márcio, poderiam contribuir financeiramente para a campanha. Sendo ele empresário, buscou saber de nomes com alguns amigos, também empresários, e chegaram a estes nomes que estão na coluna da esquerda e aqueles na parte superior da coluna da direita", disse Kakay.
Os valores, segundo o advogado, seriam uma "previsão" de quanto poderia pedir para essas empresas. Terminada a campanha, explicou Kakay, o tesoureiro, José Eustáquio de Oliveira, procurou Márcio Machado. "O tesoureiro o procurou com a lista e disse que as empresas listadas quase não tinham contribuído", disse o advogado, sem dar detalhes sobre as menções "receitas", "despesas" e a sigla "pg" que constam no documento.
"Eles resgataram a tal lista e o tesoureiro falou de algumas receitas que o Márcio anotou na coluna da direita e também de algumas despesas", ressaltou. Segundo Kakay, Márcio Machado "não acompanhou o desenrolar destes fatos e não sabe dizer quem doou ou não".
O Estado procurou José Eustáquio Oliveira, hoje chefe do escritório político do governador do DF, José Roberto Arruda, mas não o localizou.
Das empresas citadas, a assessoria da Via Engenharia negou que o nome "Via" na planilha seja o da empresa. A Via diz que não fez doações em 2006, apenas em 2008, para o diretório do DEM.