Título: Para BIS, Estado forte não é garantia contra crises
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/12/2009, Economia, p. B7
Não foi o tamanho do Estado que garantiu a qualquer economia atravessar a pior crise nos últimos 70 anos. A avaliação é do BIS que, em seu último relatório do ano, desfaz a tese de que países que contaram com um Estado participando de várias áreas da economia antes da crise conseguiram evitar a recessão. Diante da quebra generalizada de bancos e empresas, governos de todo o mundo passaram a comprar ativos de companhias tradicionais para salvá-las. Setores inteiros chegaram a ser estatizados na prática. Uma série de líderes se apressaram a declarar que essa era a prova de que o Estado precisava participar da economia.
Estudo feito pelo BIS, porém, apresenta outra constatação. A entidade até admite que o Estado pode ter um efeito estabilizador na economia. Mas diz que esse impacto tem sido cada vez menor desde os anos 80. A entidade avaliou crises desde os anos 70 em dezenas de países para chegar a essa conclusão. "Outros fatores que não o tamanho do Estado podem ter sido mais importantes", diz. Entre eles estariam o grau de abertura dos mercados, os termos de comércio e inflação. Para o BIS, o contágio por meio do comércio teve um impacto mais determinante na economia de um país que o tamanho do Estado.
Outra constatação foi de que os testes realizados pelo FMI sobre as diferentes economias do mundo fracassaram. O BIS e bancos centrais realizaram testes de estresse antes da crise. Mas não apenas não identificaram vulnerabilidades, como garantiram entre 2005 e 2007 que praticamente o mundo inteiro tinha sistemas bancários "robustos".