Título: BNDES prevê PIB de 5,5% em 2010
Autor: Andrei Netto
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/12/2009, Economia, p. B16

Dependência de capital externo pode causar bolhas, diz Coutinho

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse ontem que o BNDES trabalha com a perspectiva de que a economia brasileira poderá crescer "pelo menos" 5,5% em 2010. Para acompanhar essa expansão, os investimentos no País devem saltar cerca de 10% em relação a 2009, para garantir a relação de duas vezes entre investimentos e Produto Interno Bruto (PIB), ressaltou o executivo, que participou do 14º Encontro Anual da Indústria Química, realizado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em São Paulo.

Segundo Coutinho, a necessidade de recursos externos pode contribuir para a criação de bolhas no mercado brasileiro. "Ficaremos vulneráveis às bolhas se permitirmos que o financiamento do investimento necessário para o crescimento brasileiro passe a ser crescentemente feito por ingresso de capitais voláteis", disse ele.

Questionado sobre uma possível bolha no mercado brasileiro, Coutinho disse que o Brasil precisará "saber lidar com as bolhas". "No capitalismo moderno, as bolhas são não apenas inevitáveis como frequentes. Por isso, o que precisamos é ter precaução com elas. Precisamos contribuir para colocar o pé no chão realisticamente", indicou o executivo, que, no entanto, não confirmou o temor de formação de bolhas no Brasil.

Coutinho lembrou que a taxa de investimento no País está abaixo de 20% do PIB e afirmou que "vai lutar" por uma taxa de pelo menos 20% em 2010, aumentando "para 24% a 25% nos próximos quatro ou cinco anos". O segmento que mais deve contribuir para esse crescimento, segundo o presidente do BNDES, é o setor de infraestrutura, que na visão dele precisa de aportes "maciços".

Para Fraga, economia global é "máquina de bolhas"

A "máquina de bolhas" da economia mundial continua funcionando enquanto os formuladores de política econômica lutam contra a recessão com políticas fiscais e monetárias fáceis, disse o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga em Nova York antes de uma reunião do G-30 (grupo dos 30 países mais industrializados).

Armínio acrescentou que as preocupações sobre a sustentabilidade da política fiscal em países desenvolvidos precisam ser administradas para evitar crises futuras. Para ele, os juros em recorde de baixa em muitos países ricos ajudam a criar um excesso de liquidez nas economias emergentes.

"De muitas formas ainda temos uma máquinas de bolhas. Estamos tratando uma bolha com outra bolha." Armínio defendeu a estratégia do governo brasileiro de combater a recessão com gasto público, mas acredita que agora que a economia está se recuperando a política fiscal deveria "tirar o pé do acelerador". Isso abriria espaço para o BC reduzir mais o juro e "seria uma forma muito eficiente de conter a apreciação do real".