Título: Não permitiremos bolhas na economia, diz Mantega
Autor: Andrei Netto
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/12/2009, Economia, p. B16

Ministro rebate, com ironia, as advertências do Prêmio Nobel Paul Krugman

HAMBURGO

As advertências feitas pelo americano Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia, sobre o risco de bolhas econômicas no Brasil desagradaram o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em discurso para empresários alemães, ontem, em Hamburgo, o ministro afirmou que o acadêmico tem investimentos no Brasil e disse que o País está atento para evitar o risco de bolhas na economia.

Em visita a São Paulo nesta semana, o Nobel havia feito um alerta sobre a euforia dos investidores, que estariam agindo no mercado financeiro como se o país fosse se tornar uma "superpotência econômica no ano que vem". Em tom irônico, Mantega respondeu na manhã de ontem, durante a última etapa da viagem presidencial pela Europa. O ministro disse que Krugman, professor da Universidade Princeton, tem investimentos no País - uma maneira de sugerir que as advertências não são referendadas por seus próprios atos.

"Ele não só estava preocupado com a economia do País, mas também tinha aplicações, tinha feito investimentos no Brasil", afirmou, sem especificar a que investimentos se referia.

A seguir, foi ainda mais explícito, enviando um recado direto ao acadêmico: "Nós podemos dizer ao economista Paul Krugman que não permitiremos bolhas na economia brasileira. Não fique preocupado".

Segundo Mantega, o excesso de entusiasmo com relação ao Brasil está sendo acompanhada pelo governo. "Estamos atentos para impedir que haja a formação de bolhas no mercado brasileiro", assegurou, descartando o risco de que o País seja vítima de "atração fatal" no mercado. "Temos exuberância no Brasil, mas não teremos a exuberância irracional, e sim a exuberância racional", opinou, parafraseando o ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Alan Greenspan, nos anos 1990.

O ministro da Fazenda também se voltou contra os analistas econômicos e contra imprensa "nacional e internacional", a qual acusou de "terrorismo" durante o auge da crise, em 2008. Comentando a responsabilidade fiscal e o superávit primário de 2,5% em 2009, Mantega afirmou ainda: "Eu queria dizer a todos que vamos cumprir o superávit primário".

"Alguns comentaristas brasileiros, que são pagos e se esforçam para encontrar problemas - e hoje em dia não é fácil encontrar problemas na economia brasileira -, dizem que talvez a gente não vá cumprir as metas fiscais", afirmou. "Eu queria decepcioná-los. Nós vamos cumprir a meta de 2,5% do PIB."

Ao longo de sua apresentação, o ministro reiterou que o País tem crescimento anualizado superior a 8% e se vangloriou das medidas de estímulo à atividade econômica, lançadas após a bancarrota do banco americano Lehman Brothers, em setembro de 2008. De acordo com Mantega, enquanto o Brasil gastou o equivalente a 1,2% do PIB para aquecer a economia, a Alemanha investiu 3,6%. "É muito importante que tenhamos colocado a economia nos trilhos com poucos gastos."