Título: Dilma faz defesa de eleição em Honduras
Autor: Andrei Netto
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/12/2009, Internacional, p. A19

Ministra desvincula votação de golpe e diz que País deve considerá-la

HAMBURGO

As eleições que levaram no último domingo Porfírio "Pepe" Lobo à presidência de Honduras devem ser "consideradas" pela diplomacia brasileira, defendeu ontem a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A opinião da ministra e virtual pré-candidata é muito mais flexível do que as manifestadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por seu assessor especial para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Para Dilma, favorita de Lula na corrida presidencial brasileira no ano que vem, embora o Brasil deva continuar condenando a destituição do presidente Manuel Zelaya, a eleição de Pepe Lobo representa um fato novo que precisa ser debatido.

"Nós não estávamos discutindo eleição com Honduras. Estávamos discutindo um golpe de Estado. Há uma diferença muito grande entre uma coisa e outra", afirmou Dilma, que está acompanhando o presidente em viagem oficial à Europa. "Acho que este novo processo eleitoral terá de ser considerado."

Para a ministra, há um balanço que ainda precisa ser feito pela diplomacia brasileira. "Nós vamos fazer uma avaliação disso (a eleição) e vamos nos posicionar. A situação ainda é bastante turbulenta. Mas ninguém pode desconhecer o fato de que houve um golpe de Estado."

A posição da ministra está em dissintonia com a posição assumida pelo governo Lula. Só nesta semana, durante giro de sua comitiva pela Europa, o presidente brasileiro afirmou duas vezes, em Estoril e Berlim, que não reconheceria as eleições que deram a vitória a Pepe Lobo.

A justificativa do Planalto é a de que a votação foi organizada durante o governo de facto liderado por Roberto Micheletti. A maior parte da campanha, segundo o Itamaraty, foi realizada em meio a um pesado clima de repressão e sob estado de sítio.

OEA

Já Garcia afirmou durante a semana que o próximo passo da diplomacia brasileira dependeria da evolução da crise em Honduras e da posição adotada por Lobo na Organização dos Estados Americanos (OEA).

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, havia convocado para ontem uma sessão extraordinária com os membros da organização para discutir a questão hondurenha.

Diplomatas que acompanham a questão afirmaram que o centro do debate seria sobre a viabilidade de Lobo liderar um governo de reconciliação e unidade nacional para realizar a transição em Honduras.

Antes do encontro, Insulza disse que as eleições "não serviram para sanar" a crise hondurenha. A resolução da questão, de acordo com ele, também dependeria da atuação do presidente eleito, Pepe Lobo - uma posição afinada com a do governo brasileiro. COMENTÁRIOS