Título: Evo quer aumentar a produção de coca para tráfico
Autor: Miranda, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/12/2009, Internacional, p. A16

Em entrevista ao 'Estado' por telefone, vice-líder nas pesquisas diz que Evo 'acabou com soberania do país'

Por que o presidente Evo Morales não deve ser reeleito?

O sr. Evo Morales não é um presidente que governa democraticamente. Ele destruiu a institucionalidade da Bolívia, o Tribunal Constitucional, a Corte Suprema de Justiça e fez uma intervenção na Controladoria-Geral da República. Evo segue um projeto totalitário, de confronto e derramamento de sangue, submetendo nosso país aos desejos do presidente Hugo Chávez, da Venezuela. Não há mais soberania na Bolívia e Evo, que dividiu o país entre ocidente e oriente, é o responsável por isso.

Evo tem feito uma série de acusações contra o sr. nos últimos dias e chegou até mesmo a ameaçar prendê-lo. Como o sr. se defende?

Tudo isso que Evo vem dizendo é apenas reflexo do temor que ele tem porque já sabe que conseguiremos um segundo turno, no qual tenho chances de ganhar. Por isso ele faz acusações sem nenhum fundamento. O que ele faz é igual ao regime castrista em Cuba no qual os que pensam diferente do governo são presos, fuzilados ou expulsos do país. Ele quer fazer isso com o povo boliviano, quer submeter todos a uma ditadura.

Qual é a sua análise do governo atual?

A administração de Evo teve muita sorte por chegar ao poder em um momento econômico favorável, no qual os recursos naturais estavam com um preço alto no mercado internacional. No entanto, agora que o valor desses produtos está caindo, só sobram para o governo os recursos obtidos com o narcotráfico. Atualmente esses são os maiores recursos que ingressam no país e ajudam a sustentar a economia nacional porque não há outro tipo de iniciativa econômica que leve o país para um maior crescimento. Nem os caminhões que fazem campanha para o MAS (Movimento ao Socialismo, partido de Evo) escaparam de transportar cocaína.

O sr. acredita que Evo está ciente dessas acusações?

Evo é o presidente da associação de cocaleiros. A Bolívia não necessita de mais de 8 mil a 10 mil hectares de cultivo de folhas de coca para o consumo tradicional interno, mas hoje estamos produzindo 44 mil hectares da planta. A coca que sobra é para a produção de cocaína e o presidente já falou publicamente que quer aumentar a produção da planta. E aumentar tanto para quê? Obviamente para a utilização do narcotráfico.

Quais são as maiores preocupações do povo boliviano e o que o sr. pretende fazer para cumpri-las?

A maior preocupação hoje é a falta do estado de direito, de Justiça, e do confronto constante que pode levar a uma guerra civil. Esse é o maior temor dos bolivianos e esperamos que isso chegue ao fim na eleição deste domingo.