Título: Juro deve subir entre junho e julho
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Fonte: O Estado de São Paulo, 10/12/2009, Economia, p. B13
Economistas acreditam em alta para conter inflação
O atual nível da taxa Selic, de 8,75% ao ano, pode permanecer inalterado pelo menos até meados de 2010. A expectativa da maioria dos economistas é que, a partir de junho ou julho do ano que vem, o Banco Central (BC) seja obrigado a iniciar um novo ciclo de alta para conter uma possível pressão inflacionária em 2011.
"Seria um movimento preventivo, com alta entre 2 e 2,5 pontos porcentuais, para não correr o risco de descumprir a meta de inflação", afirma o economista e sócio da MCM Consultores, José Júlio Senna, ex-diretor do BC. Segundo ele, as previsões para 2010 mostram índices de preços bastante comportados, seja em relação a bens administrados, serviços ou bens negociados internacionalmente.
Mas tudo vai depender do crescimento econômico. Se o ritmo for muito forte, acima das expectativas do mercado financeiro, é possível que o início do ciclo de alta seja antecipado, alerta o economista do BES Investimentos, Flávio Serrano. "Mas essa não é a nossa previsão. Acreditamos que o BC apenas comece a elevar os juros a partir de junho ou julho de 2010."
Na avaliação dele, um dos principais riscos é a parte fiscal. Apesar do lado positivo, que é a redução dos impostos, o aumento dos gastos do governo representa uma grande ameaça ao País. Hoje, diz ele, há um grande consumo baseado no aumento de salários dos funcionalismo público. "Isso pode levar a um crescimento econômico de qualidade ruim, impulsionado por despesas do governo e não por consumo privado."
O sócio da Integral Trust, Roberto Troster, tem opinião semelhante. Na avaliação dele, hoje o grande motor do crescimento tem sido os gastos públicos. Ele acredita que, como a capacidade ociosa da indústria ainda está bastante baixa, o BC pode segurar os juros no atual patamar até outubro do ano que vem. A partir daí, a Selic seria elevada em 1,25 ponto porcentual, terminando o ano em 10%.
A única preocupação dos economistas é com o processo eleitoral de 2010. Em meados do ano, quando haveria a necessidade de tomar medidas preventivas, será o auge das campanha presidencial. "Se dormirem no ponto, a inflação voltará a subir. Mas acredito que o BC vá manter sua reputação de órgão competente", diz Senna.