Título: Decisão é atacada por empresários e sindicalistas
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Fonte: O Estado de São Paulo, 10/12/2009, Economia, p. B13
Reação manteve o tom das reuniões anteriores do Copom, com críticas à taxa de juros do Banco Central
Apesar de esperada, a decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa de juros básica (Selic) em 8,75% ao ano foi criticada pelos principais representantes do setor industrial, reclamação que persistiu após todas as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) neste ano.
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, a decisão de ontem foi inadequada para a economia brasileira. "A inflação sob controle e a restrição do crédito bancário de origem privada justificam uma taxa de juros mais reduzida", disse.
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), insistiu que há espaço para cortes adicionais. "É um absurdo o Brasil voltar a ocupar a segunda colocação no ranking das maiores taxas de juros reais do mundo."
O presidente da Fiesp ponderou que a inflação esperada para 2010 é de 4,48%, dentro da meta prevista pelo governo. Ressaltou ainda que a maioria dos países tem taxa real de juros próxima de zero. Além disso, Skaf defendeu que há bastante capacidade ociosa a ser aproveitada na indústria, pois a produção ainda está 5,7% abaixo do pico atingido em setembro do ano passado.
O segmento comercial, representado por Abram Szajman, presidente da Fecomércio, também não poupou críticas ao Copom. "Nada muda na política conservadora do Banco Central. Não era de se esperar um novo número para finalizar 2009. Resta aguardar o próximo ano, que já acena com um possível aumento da taxa."
Szajman prevê que o BC tende a elevar os juros no próximo ano, mantendo a valorização cambial, "a despeito dos efeitos negativos sobre o produto nacional e do absoluto controle dos preços".
Monteiro Neto também ressaltou que a indústria continua preocupada com os efeitos da sobrevalorização do real, o que, disse ele, limita a retomada dos investimentos e retarda a recuperação do setor, comprometendo o emprego e a produtividade.
No coro de críticos, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, considerou uma ironia a manutenção da Selic. "Continuamos com uma taxa que asfixia a produção, inibe o consumo e, consequentemente, a abertura de novos postos de trabalho."
Na opinião do sindicalista, "é um erro estratégico, uma miopia econômica que, com certeza, vai causar um impacto negativo na economia no primeiro semestre de 2010".
Um dos poucos a manifestar apoio à decisão, o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, afirmou que o BC tem acertado ao manter o equilíbrio da economia brasileira. "A decisão tem de ter um voto de confiança da sociedade", disse.
A economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, avaliou, por sua vez, que o texto divulgado após o encontro dos membros do Copom reduz a chance de aumento do juro nos primeiros meses de 2010. Para ela, haverá mudança da Selic em algum momento, "mas não urgentemente".