Título: Cresce 16% o total de brasileiros que estudam nos EUA
Autor: Chacra, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/12/2009, Vida&, p. A16
Relatório do governo americano aponta ainda que[br]o n.º de estudantes daquele país no Brasil subiu 8%
Cada vez mais estudantes brasileiros vão para universidades dos Estados Unidos e americanos partem para estudar no Brasil. A informação é do Instituto Internacional de Educação (IIE), órgão ligado ao Departamento de Estado norte-americano e que monitora o total de estudantes estrangeiros em universidades do país.
O crescimento não foi suficiente para aproximar o Brasil de outras potências emergentes, como a China e a Índia, que enviam 12 vezes mais estudantes para os Estados Unidos. O Brasil ocupa a 13ª colocação. No entanto, no ano de letivo de 2008/2009, o total de brasileiros subiu 16%.
Atualmente, segundo informou o IIE no seu relatório Open Doors, há 8.767 estudantes brasileiros cursando universidades nos EUA. A Índia, com 103 mil, e a China, com 98 mil, estão nas duas primeiras posições e apresentaram um crescimentos de 9% cada uma no último ano. Dos 12 países à frente do Brasil, apenas o Canadá, o México e a Alemanha não se localizam na Ásia.
Ao todo, há 671.616 estrangeiros em universidades dos EUA. A elevação foi de 16% em relação ao ano letivo 2007/2008. Nos dois anos anteriores, o aumento foi de 10%. "Receber estudantes e acadêmicos estrangeiros enriquece a experiência educacional de todos, consolidando os laços entre povos e nações", disse Judith McHale, subsecretária dos EUA para Diplomacia Pública. "A educação superior americana continua muito valorizada no mundo", acrescentou em comunicado Allam Goodman, presidente do IIE.
As cidades das costas ainda são as que mais atraem. A primeira colocada em número de estrangeiros é a Universidade Southern Califórnia, em Los Angeles, seguida pela NYU e Columbia, de Nova York.
Para os brasileiros, a decisão de estudar nos EUA é influenciada pela cotação do dólar. Em momentos como agora, com a depreciação da moeda americana em relação ao real, cresce a procura de brasileiros por cursos nas universidades americanas. Um ano no exterior, nas universidades mais tradicionais, como Princeton, Yale e Stanford, pode custar quase US$ 50 mil (R$ 86,5 mil).
Caso não tenham condições de bancar os custos, os brasileiros devem recorrer a bolsas de estudo esportivas ou acadêmicas. Nos dois casos, são muito concorridas. Além disso, as faculdades solicitam informações da vida acadêmica, resultados de provas e entrevistas.
Thiago Arruda faz mestrado em administração pública na Universidade Columbia. "Mesmo que não seja uma universidade grande, vale a pena. O ideal é vir na pós-graduação, já que os custos serão mais curtos." Os mestrados nos EUA costumam durar de um a dois anos. A graduação demora quatro. Doutorados podem chegar a sete.
O total de americanos estudando no Brasil também cresceu. São 2.723 estudantes dos EUA nas universidades brasileiras, 8% mais do que em 2008. O Brasil é o 20º destino de americanos no mundo. Os quatro primeiros países na lista são europeus. Na América Latina, México, Argentina e Costa Rica recebem mais americanos do que o Brasil. Um dos motivos pela procura maior pelos países vizinhos é a língua, pois o espanhol se tornou praticamente obrigatório no mercado americano.