Título: Controle sobre fundo climático trava debate
Autor: Paraguassú, Lisandra
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/12/2009, Vida&, p. A26

Além das cifras que pagarão as ações de adaptação às mudanças climáticas e de mitigação das emissões de CO2 nos países em desenvolvimento, uma disputa entre industrializados e emergentes pelo poder no comando do futuro fundo climático global trava um acordo sobre financiamento em Copenhague. Menos de 24 horas antes da chegada dos chefes de Estado e de governo na conferência do clima, nenhum consenso foi obtido sobre o XX Body, designação técnica do grupo que coordenará o fundo.

O Estado teve acesso ao organograma debatido. Sob a supervisão da Convenção do Clima da ONU, está situado o XX Body, ou o conselho executivo. A ele serão subordinados ao menos três instituições: o já existente Global Environment Facility; um novo fundo chamado de Climate Change Fund; e uma terceira instituição que responderia por fundos regionais, bilaterais e outros.

O impasse nas negociações está no grupo que coordenará a distribuição dos recursos. Os EUA, seguidos de Japão, Austrália e Canadá, defendem que o conselho seja formado de forma paritária, segundo o volume de recursos aplicado por cada um. Assim, eles teriam o controle sobre os projetos que receberiam as verbas. A proposta tem o veto inegociável dos países do G77, o grupo das nações em desenvolvimento, entre elas o Brasil.

LIBERAÇÃO DE RECURSOS

O Japão anunciou ontem que pode liberar até 2012 US$ 11 bilhões (o equivalente a R$ 18,7 bilhões) de recursos públicos. Incluindo os privados, o valor chegaria a US$ 15 bilhões (R$25,5 bilhões). Outros seis países - Austrália, França, Japão, Noruega, EUA e Reino Unido - poderão dar US$ 3,5 bilhões para ações que evitem o desmatamento em países em desenvolvimento. O objetivo dos países é contribuir para um acordo na COP-15.