Título: Força horizontal fez vigas desabarem, diz laudo do IPT
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Fonte: O Estado de São Paulo, 29/12/2009, Metropole, p. C6
Texto não detalha origem do problema, mas aponta falha em travamento
O desabamento das três vigas de concreto nas obras do Trecho Sul do Rodoanel foi causado por uma "força horizontal" não contida pelo sistema de travamento, informou ontem a Secretaria Estadual de Transportes, com base em relatório do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O acidente, ocorrido na noite de 13 de novembro no km 279 da Rodovia Régis Bittencourt, deixou três feridos. Em nota, a pasta afirma que "será feita a devida apuração das responsabilidades contratuais e funcionais pela prática do acidente", além do inquérito policial instaurado pela Delegacia Seccional de Taboão da Serra.
O texto divulgado pelo governo não esclarece que tipo de "força horizontal" teria atuado sobre as vigas e nem quais foram as evidências reunidas pelo IPT para chegar a essa conclusão. O instituto, diz a secretaria, avaliou diversos aspectos da obra, tais como a ocorrência de abalos sísmicos (terremotos), ação de ventos e tempestades, qualidade dos materiais usados, protensão (sustentação) das vigas, seu dimensionamento e procedimentos de instalação. Engenheiros ouvidos pelo Estado dizem que um deslocamento de ar e/ou trepidações provocadas, por exemplo, pela passagem de um caminhão poderiam desencadear o acidente. O desabamento, segundo o IPT, se deu pela conjunção de três fatores: falta de horizontalidade das superfícies das bases de apoio; insuficiência de atrito na interface das vigas com essas bases e falta de travamento adequado das vigas.
Na avaliação de engenheiros, os dois primeiros ajudam a esclarecer o "mecanismo" da queda, mas não a causa. A falta de horizontalidade pode ser explicada pelo traçado levemente curvado do Rodoanel naquele ponto, enquanto o atrito estaria associado ao apoio das vigas. O ponto central do problema, segundo especialistas, está na deficiência do travamento, usado para evitar que as vigas fiquem instáveis. A hipótese de falha no travamento já havia sido apontada por peritos do Instituto de Criminalística (IC).
Para a continuidade da obra, a secretaria diz ter recebido do IPT a recomendação de "adequações nos controles de nivelamento e assentamento das vigas somadas com processos que garantam a rugosidade e coeficientes de atrito adequados a eventuais esforços horizontais, bem como sistemas de travamento provisórios que garantam que as vigas não possam sofrer deslocamentos na direção transversal".
A pasta afirma que tomará as providências para retomar os trabalhos de forma segura. Tanto a obra no local do acidente quanto as demais "obras de arte" (pontes, viadutos, etc) passarão a ter acompanhamento de técnicos do IPT.