Título: Reação de Cabral reforça contradições
Autor: Rodrigues, Alexandre ; Thomé, Clarissa
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/01/2010, Metropole, p. C1

A reação do governador Sérgio Cabral (PMDB) ao drama de Angra dos Reis foi marcada por erros de avaliação e incontinência verbal. Embora tenha informado que passara o réveillon em sua casa de veraneio num condomínio de luxo de Mangaratiba, a menos de 60 km do cenário da tragédia, não esticou até lá no primeiro dia. Deixou para o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, que chegou ao local ainda pela manhã.

O cochilo de Cabral ajudou a consolidar a ideia recorrente no Rio de que o vice é o principal executivo do governo.

Ao pôr os pés na lama da destruição no segundo dia, Cabral falou demais. Chamado a examinar as causas dos deslizamentos, gerou expectativas difíceis de cumprir. Bradou que "orçamento não é problema" para a obrigação de dar casas dignas a quem vive nos morros de Angra, mas não apresentou iniciativas nesse sentido de seu governo, que já conta três anos.

Distribuiu culpas denunciando o "populismo dos governantes", alfinetando antecessores como o casal Garotinho, a quem conduziu ao PMDB e sustentou como presidente da Assembleia. Também respingou nos políticos de Angra, administrada nos últimos anos por seu partido e pelo PT. Um dos ex-prefeitos da cidade é o deputado federal Luiz Sérgio, que acaba de assumir a presidência regional do PT com a missão de conduzir um partido dividido à chapa de reeleição de Cabral.

O governador quer ser o candidato único do presidente Lula para se reeleger com tranquilidade, mas precisa ajudar.