Título: Obra do trem-bala terá 5 anos para ser concluída
Autor: Goy, Leonardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/12/2009, Economia, p. B3

Prazo começará a contar após a licença do Ibama e construção não deverá ficar pronta para Copa de 2014

Para evitar que a obra do trem-bala atrase ainda mais, o governo decidiu estabelecer, no edital do leilão, um prazo máximo de cinco anos para que a linha que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro fique pronta. O diretor-geral da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), Bernardo Figueiredo, reitera, porém, que não haverá tempo hábil para que o trem-bala esteja completamente concluído para a Copa do Mundo de 2014. O prazo de cinco anos contará a partir do momento em que o Ibama liberar a licença de instalação, que autoriza o início da construção.

Figueiredo também anunciou ontem, no café da manhã com a imprensa, que o edital vai obrigar o futuro concessionário a construir uma estação em Aparecida (SP), na parte paulista do Vale do Paraíba. É nessa cidade que está a basílica de Nossa Senhora Aparecida, local de maior concentração de romaria e turismo religioso do País. Segundo Figueiredo, a decisão de fazer uma estação em Aparecida tem como intenção aliviar o tráfego na Rodovia Presidente Dutra, principalmente em datas do calendário religioso, como o feriado de Nossa Senhora Aparecida.

Ele destacou ainda que a estação não trará grande custo adicional aos empreendedores e poderá ser ativada, por exemplo, apenas em finais de semana e feriados religiosos.

A ANTT também decidiu reduzir o preço-teto por quilômetro da tarifa da classe econômica que poderá ser cobrada no trem-bala. Originalmente, havia sido fixado um máximo de R$ 0,60 por quilômetro. Isso, pelas contas de Figueiredo, fazia com que o preço máximo da passagem entre São Paulo e Rio custasse cerca de R$ 250.

"Era uma taxa muito acima do mercado", disse, referindo-se ao preço da ponte aérea entre as duas capitais - o principal elemento de concorrência com o trem-bala. Na minuta do edital constará que o novo preço-teto passará a ser de R$ 0,50 por quilômetro, o que levaria a tarifa máxima na classe econômica para o trecho São Paulo-Rio a R$ 200, segundo ele.

Para vencer o leilão, os empreendedores terão de oferecer a melhor proposta num mix de critérios que envolve a menor tarifa - até esse teto - e também o menor porcentual de financiamento público para conclusão da obra. Figueiredo, entretanto, admite que a tarifa-teto estabelecida pela ANTT ficou apertada e calcula que o preço da passagem entre o Rio e São Paulo deverá cair para até algo próximo a R$ 180.

O edital estabelecerá nove estações obrigatórias: no Aeroporto de Viracopos, próximo a Campinas; no centro de Campinas; no Aeroporto de Guarulhos; no centro de São Paulo (provavelmente no Campo de Marte); em Aparecida; em outra cidade a ser escolhida pelo empreendedor na parte paulista do Vale do Paraíba; em alguma cidade na parte fluminense do Vale do Paraíba; no centro do Rio de Janeiro; e no Aeroporto do Galeão.

Em relação ao Campo de Marte, onde há um aeroporto para pequenas aeronaves e helicópteros, Figueiredo disse que os estudos caminham para uma estação subterrânea, para que a atividade da pista do aeroporto não seja comprometida. "Também estudamos construir na Barra Funda (zona oeste de São Paulo). Mas é uma região muito ocupada."