Título: Feriadões com 455 mortos nas rodovias federais
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/01/2010, O País, p. 8
Número é 3,9% maior em relação ao ano passado; acidentes subiram 23,9% por causa das chuvas e da imprudência
BRASÍLIA. Os feriados de Natal e Ano Novo terminaram com 455 mortos nas estradas federais, um acréscimo de 3,9% em relação ao mesmo período de um ano atrás. O balanço divulgado ontem pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) diz que a forte chuva no Sul e Sudeste, aliada à imprudência dos motoristas e ao reaquecimento da economia, contribuiu para aumentar em 23,9% o número de acidentes e em 17,8% o de feridos.
A Operação Fim de Ano foi realizada durante 16 dias, de 19 de dezembro a 3 de janeiro. O total de 455 equivale a 28,4 óbitos por dia. Foram registradas 8.864 colisões ao longo dos 66 mil quilômetros de estradas federais.
Ficaram feridas 5.676 pessoas. Em termos nacionais, todas as estatísticas pioraram.
No Rio de Janeiro, ao contrário, o total de óbitos caiu 52% ¿ de 33 para 16 ¿ e o de feridos, 5%. Apenas o número de acidentes aumentou (3%): de 640 para 662 nas estradas federais que cortam o estado. Minas Gerais, estado que detém a maior malha rodoviária do país, registrou também o maior número de vítimas fatais: 89. O Paraná ficou com o segundo pior resultado (41), seguido por Bahia, com 33, e Santa Catarina e Pernambuco, ambos com 26.
O assessor nacional de Comunicação da PRF, inspetor Alexandre Castilho, disse que a imprudência dos motoristas teve efeitos piorados pela chuva prolongada no Sul e Sudeste e pelo fim da crise econômica. As duas regiões responderam por 68% dos acidentes em todo o país. Para Castilho, no entanto, a irresponsabilidade está na raiz da tragédia do trânsito brasileiro: ¿ Nem todos são vítimas.
Muitos são agressores.
Para o inspetor, o poder público deve investir mais em educação, com ênfase em ações preventivas nas escolas: ¿ É preciso parar um pouquinho com excursões para parques ou fábricas de refrigerantes e começar a visitar hospitais de emergência.
Em Minas, a chuva castigou a maior parte do estado por dez dias consecutivos. O resultado, segundo Castilho, foram estradas com asfalto lavado, com menor aderência, e perda de visibilidade.
No Rio, no entanto, os 26 pontos de interdição nas BRs 116, 040 e 393 teriam levado muita gente a desistir de viajar.
¿ No Rio, houve uma situação atípica: o caos da chuva provocou redução (do trânsito).
Mas é porque ninguém mais andava. Nos outros estados, com chuva forte, houve aumento de ocorrências: São Paulo, Minas, Paraná e Rio Grande do Sul ¿ disse Castilho.
Minas registrou sete mortos em 50 km da BR-356 A Polícia Rodoviária informou que a chuva e a imprudência foram responsáveis pelas duas ocorrências mais graves em Minas, que registrou sete mortos num espaço de 50 quilômetros da BR-356. No dia 25 de dezembro, em Estrela do Sul, quatro pessoas morreram numa tentativa de ultrapassagem em curva durante um temporal. Os policiais encontraram uma lata de cerveja no veículo que provocou o acidente.
Em Monte Carmelo, também no dia de Natal, a PRF contabilizou mais três mortes: um adulto e duas crianças. No Paraná, o caso considerado mais grave foi de três amigas que seguiam pela BR-163 para uma festa de réveillon na região de Guaíra, no oeste paranaense. Elas morreram depois que o veículo em que viajavam bateu de frente numa carreta. Outras quatro pessoas perderam a vida em dois acidentes durante ultrapassagens na BR-277, em Irati.
A PRF fez 47 mil testes de bafômetro.
Os resultados deverão ser divulgados hoje. Segundo Castilho, a fiscalização aumentou 33%: nos feriados de 2009/2010, 400 mil veículos foram abordados, ante 300 mil no mesmo período de 2008/2009. O inspetor informou que a incidência de motoristas alcoolizados diminuiu desde a adoção da lei, em 2008: naquele ano, a polícia flagrava um condutor alcoolizado a cada 6 ou 8 testes; hoje, há um bêbado a cada 40. O problema, disse ele, é a falta de controle nas cidades vizinhas às rodovias, o que dá a sensação de impunidade em quem mora perto das estradas.