Título: O avanço da internet
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/12/2009, Notas e informações, p. A3
Com mais de 60 milhões de computadores e cerca de 170 milhões de telefones celulares, o Brasil ocupa, respectivamente, o décimo e o quinto postos dos rankings mundiais, destacando-se entre os mercados digitais que mais crescem. Este é o resultado da abertura do mercado de telecomunicações, na década passada, confirmado pelo estudo Acesso à Internet e Posse de Telefone Móvel Celular para Uso Pessoal, feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No ano passado, 56 milhões de pessoas maiores de 10 anos - 34,8% da população - acessaram a internet pelo menos uma vez no ano por meio de um computador, porcentual que aumentou 75,3% em relação a 2005.
A maioria dos que utilizaram a rede (62,9%) está na faixa etária de 15 a 17 anos, seguida pelo grupo de 10 a 14 anos de idade (51,1%). O porcentual de internautas reduziu-se nas faixas etárias mais altas, chegando a 11,2% entre os maiores de 50 anos.
Geograficamente, o Distrito Federal, onde a internet foi usada por 56,1% das pessoas, foi o líder, seguindo-se São Paulo (43,9%) e o Rio de Janeiro (40,9%). No final da classificação ficaram o Maranhão e o Piauí (cada qual com 20,2%) e Alagoas (17,8%).
Quanto maior a renda, maior o uso de computadores e de internet. Na faixa superior a cinco salários mínimos por mês, 75,6% usaram a internet, porcentual que se reduz para apenas 13% na faixa dos que ganham até 1/4 do salário mínimo - e aí estão os favorecidos pelo programa Bolsa-Família. Da mobilidade social - a ascensão das faixas D e E à classe C, considerada a nova classe média brasileira - dependerá, portanto, o aumento do potencial de crescimento do mercado digital.
Predominou o uso da internet no domicílio (57,1%), seguindo-se as chamadas lan houses, com 35,2%, e, em terceiro, o local de trabalho. Dos que usam a internet apenas no domicílio, 80,3% só o fizeram utilizando a banda larga. Este porcentual é quase o dobro dos 41,2% que usavam a banda larga em 2005.
Apesar do crescimento impressionante da chamada inclusão digital, no ano passado 104,7 milhões de pessoas com mais de 10 anos de idade não usaram a internet: 32,8% declararam não ter interesse; 30% por falta de acesso a um computador; e 31,6% - sobretudo pessoas com idade média de 44 anos (homens) e 45 anos (mulheres) - não sabiam utilizar a rede. Nesse caso, o motivo declarado foi a escolaridade insuficiente. Por outro lado, 80,4% dos indivíduos com 15 ou mais anos de escolaridade usaram a internet, porcentual que cai para 7,2% entre os que estudaram menos de 4 anos.
Há outros fatos negativos na pesquisa, como a diminuição do porcentual de usuários que entraram na rede para efetuar transações bancárias ou financeiras - de 19,1%, em 2005, para 13,1%, em 2008. Ressalvadas distorções estatísticas, há o medo do ataque de hackers - o Brasil figura entre os países mais sujeitos a esse tipo de crime.
Numa pesquisa de múltiplas escolhas, 83,2% dos usuários declararam usar a internet para comunicar-se com outras pessoas, superando o acesso à rede para fins educacionais e de aprendizado (65,9%, porcentual que declinou em relação a 2005, quando atingiu 71,7% dos usuários). A leitura de jornais e revistas foi o objetivo de 48,6% das pessoas que procuraram a rede.
Tão importante como a internet, como indicador de acesso à informação, foi o uso de telefones celulares - em 2008, mais da metade dos brasileiros (53,8%) tinha um aparelho móvel. Os dados sugerem que muitos têm mais de um aparelho, pois a relação entre o número de aparelhos e o número de habitantes é da ordem de 88%. Provavelmente, muitos trabalhadores têm um celular próprio e usam outro, que pertence à empresa. Mas alguns têm vários telefones celulares.
Além da comodidade proporcionada a milhões de usuários, entrar na era digital será cada vez mais indispensável, pois, em breve, até a comunicação com órgãos públicos dependerá da internet.