Título: Deputado só aceita dividir lado político
Autor: Oliveira, Clarissa ; Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/02/2010, Nacional, p. A4

Ciro ressalta afinidade, mas mantém sua candidatura

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) disse ontem que é candidato "para ganhar" e rejeitou as pressões para desistir em favor da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Vamos estar do mesmo lado político, mas não no mesmo palanque", frisou.

Ciro retribuiu os elogios da ministra, dizendo que ela foi "extremamente lisonjeira", mas reforçou que vai disputar a sucessão do presidente Lula, a não ser que o partido se posicione de forma contrária. "A única circunstância para eu desistir é se o PSB pedir para retirar meu nome. Aí eu aceito docilmente."

O PSB também está disposto a levar adiante a candidatura de Ciro, resistindo às pressões do Planalto em favor da candidatura única de Dilma. É o que afirmou o senador e dirigente nacional socialista, Renato Casagrande (ES), convencido de que seu partido examinará "com muito carinho e cuidado" a postulação de Ciro.

O senador sustentou que o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, também avalia que não se pode descartar Ciro "sem um forte argumento".

Embora Casagrande reconheça que o partido "fez pouco" pela candidatura própria até agora, a avaliação geral é de que o cenário aponta para uma sobrevida garantida de Ciro até março, pelo menos. "Se o Eduardo achar que a candidatura Ciro é boa para o PSB, ele vai sustentá-la", apostou. "O que vai determinar a decisão do PSB são os interesses partidários, e não os apelos do Planalto."

Reconduzido ontem ao posto de líder do PSB na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (DF) explicou a força da candidatura Ciro lembrando que seu partido definiu dois grandes objetivos: manter e aprofundar o projeto iniciado por Lula e eleger uma bancada de pelo menos 50 deputados federais e quatro governadores. "Meu sentimento é de que Ciro fortalece o PSB nessa luta política", disse.

A avaliação predominante no partido é de que, para se tornar viável, Ciro terá de fechar aliança com pelo menos mais uma legenda, para garantir mais tempo de propaganda gratuita. Por isso, estão na mira dos socialistas o PP e o PTB.

Casagrande tem defendido pressa na mobilização da cúpula socialista para ajudar o candidato nos próximos dois meses. "Devemos intensificar as articulações", sugere o senador.

Enquanto Ciro se movimentava no Congresso, dirigentes programavam uma reunião para avaliar o quadro político em cada Estado. O PSB vai tentar reeleger os três governadores que tem - Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará. Também deverá entrar na corrida estadual no Rio Grande do Sul, na Paraíba, no Piauí, em Mato Grosso, no Amapá, no Distrito Federal e no Espírito Santo.