Título: Eleito compara popularidade de Bachelet à de Lula
Autor: Costas, Ruth
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/01/2010, Internacional, p. A15

Ruth Costas, enviado especial em Santiago

SANTIAGO O presidente eleito do Chile, Sebastian Piñera, fez ontem um paralelo entre as eleições chilenas e as brasileiras. "A presidente (Michelle) Bachelet é muito popular e o presidente Lula também é muito popular, mas não dá para confundir a popularidade de um presidente com a necessidade de mudança de um país", disse Piñera, ao ser questionado se sua vitória era um incentivo para a oposição no Brasil.

Piñera afirmou conhecer o "projeto de mudança" da oposição brasileira e mencionou o nome de José Serra, apesar de dizer que tinha apreço por "todos os candidatos". "O Brasil terá de escolher seu próprio caminho e vou respeitar naturalmente", afirmou. Depois, citou Lula como o exemplo de "um grande democrata" e disse que o Brasil, com a Argentina, será uma prioridade para seu governo. O candidato do Partido Renovação Nacional, de centro-direita, venceu as eleições de domingo com 51,6% dos votos, em comparação com 48,3% do candidato de centro-esquerda, Eduardo Frei. Agora, Piñera promete formar um gabinete de "unidade nacional". Ontem, ele reafirmou que quer até a inclusão de políticos independentes e da Concertação no novo governo.

LEI DO COBRE

Em sua campanha, o que atraiu os eleitores foram as promessas de "mudança" num momento em que o governo da Concertação estava desgastado. Mas no plano interno os rumos da política econômica e social no geral devem ser mantidos, mas podem ocorrer ajustes pontuais. Ontem, Piñera anunciou que deve fazer "alterações profundas" na estatal do cobre Codelco para aumentar sua eficiência e, para conseguir o capital necessário, revisará a lei que prevê que 10% das exportações de cobre devem ser destinadas para as Forças Armadas. Ele explicou que "qualquer participação privada requer uma reforma constitucional".

Se há espaço para uma verdadeira alteração nos rumos da política chilena, segundo analistas, é no plano externo. Piñera tem ótimas relações com o colombiano Álvaro Uribe, também de direita. Segundo José Miguel Izquierdo, um dos coordenadores da sua campanha, o governo Piñera "vai ser mais próximo do Grupo do Rio e da Organização dos Estados Americanos (OEA) que da Unasul".