Título: Fazenda vê cenário tranquilo em 2010
Autor: Graner, Fabio
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/01/2010, Economia, p. B4
Secretário de Acompanhamento Econômico afirma que o IPCA tende a atingir o centro da meta de 4,5%
BRASÍLIA O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Antônio Henrique Silveira, avaliou ontem em entrevista à Agência Estado que a inflação de 2009 ficou "absolutamente enquadrada" e que em 2010 o IPCA deverá seguir comportado, "tendendo ao centro da meta", que é de 4,5%. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, o índice oficial de inflação fechou 2009 com alta de 4,31%, a menor desde 2006.
Para 2010, mesmo com a retomada de um crescimento mais forte, o secretário prevê que a inflação tende para o centro da meta. Ele acredita que, apesar de algumas "perturbações sazonais", especialmente no início do ano, como a alta recente do álcool e dos preços de material escolar, a trajetória de cumprimento do alvo de 4,5% para o IPCA não deverá ser prejudicada.
Silveira não enxerga risco de inflação de demanda neste ano porque "ainda tem folga de capacidade instalada" e porque, com a retomada do crescimento da economia, os empresários voltam a realizar investimentos, elevando o potencial de expansão do País. "Não existem razões fundamentais para a inflação se desviar da meta neste ano." Ele evitou, no entanto, entrar no mérito da política monetária do Banco Central (BC). Analistas de mercado têm afirmado que o BC deve elevar os juros a partir de abril para se precaver contra possíveis pressões inflacionárias geradas pelo maior ritmo de atividade econômica.
Para Silveira, a queda no IPCA de 2009 refletiu o impacto da crise internacional nos preços das matérias-primas e também as desonerações tributárias setoriais, como em eletrodomésticos, realizadas pelo governo para enfrentar a crise.
"A inflação de 2009 ficou absolutamente no script, refletindo a queda nas nos preços das commodities, que também deu um alívio para a indústria como todo", afirmou. " A folga no IPI para eletrodomésticos também contribuiu, mostrando que a política foi acertada e que as desonerações pelo menos em parte foram repassadas aos consumidores", acrescentou.
O secretário destacou ainda a queda no ano dos preços de produtos de siderurgia, refletindo a combinação da redução no preço do minério de ferro - insumo para produção de aço - e do carvão, além da drástica redução na demanda internacional, impactada pela crise. Ele ressaltou que essa queda nos preços de siderúrgicos ocorreu mesmo com a retirada desses produtos da lista de exceção, que permitia a importação sem pagamento de impostos. "Mesmo com essa oneração da importação, os preços do aço caíram."
Sobre a inflação do mês de dezembro, Silveira não entrou em detalhes, mas mencionou que o índice veio "tranquilo" e os destaques negativos foram os itens alimentação fora de casa e passagens aéreas, que tiveram um repique e puxaram para cima o IPCA do mês.
BANCO CENTRAL
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, comemorou o resultado do IPCA em 2009, que ficou dentro da meta pelo sexto ano consecutivo. "Neste período, a inflação sob controle representou previsibilidade para a economia, com consequente aumento do nível de investimentos, o que permitiu crescimento médio do PIB de cerca de 5% ao ano, mais do que o dobro do passado recente", disse Meirelles, em declarações transmitidas pela assessoria de imprensa da instituição. A meta tem sido cumprida desde 2004.