Título: Nobel iraniana pede a Lula que se reúna com oposição na visita a Teerã
Autor: Trevisan, Cláudia
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/02/2010, Internacional, p. A14
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agirá "contra a democracia" se durante sua visita ao Irã não se reunir com reformistas e famílias de opositores torturados, alertou ontem Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2003. "Ele (Lula) precisa questionar as violações de direitos humanos no Irã, não apenas fechar acordos comerciais", disse.
Shirin revelou que não descarta a possibilidade de viajar para São Paulo na mesma semana em que Lula estiver em Teerã com Ahmadinejad, em maio. Nesta semana, ela enviou cartas a vários governos pedindo que aprovem na ONU a criação do posto de relator especial para os direitos humanos no Irã. O Brasil é contra a ideia.
"A situação está se deteriorando rapidamente. O governo não ignora apenas as leis internacionais, mas as próprias leis domésticas", disse a ativista.
Shirin vive em Londres há meses. Ela temia ser vítima da repressão caso permanecesse em Teerã. Ontem, de passagem por Genebra, a ativista fez duras cobranças a Lula. "Eu também acredito no dialogo", disse Shirin ao ser questionada pelo Estado sobre a posição brasileira de "apostar na negociação". "Mas o diálogo deve ser também sobre democracia e direitos humanos. Diálogo não pode ser apenas sobre temas econômicos e políticos."
"Acho que não há problemas na viagem (de Lula) ao Irã, contanto que ele não fale apenas com o governo e se encontre com as famílias daqueles que foram presos, torturados e com jornalistas independentes", defendeu. "Quando ele (Lula) estiver no Irã, peço que encontre os líderes da oposição. Só assim Lula mostrará seu respeito à população iraniana."
"Governos vêm e vão, mas são as nações e os povos que ficam. O governo brasileiro precisa garantir que a amizade seja entre a população brasileira e a iraniana", disse. "O Irã desenvolveu nos últimos tempos uma relação muito boa com o Brasil. Mas os brasileiros precisam saber o que o governo iraniano está fazendo com sua população."