Título: Comando do PMDB descarta Meirelles e insiste em Temer para vice de Dilma
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Fonte: O Estado de São Paulo, 12/01/2010, Nacional, p. A7
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está fora de qualquer lista do PMDB para compor a chapa presidencial com a ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. Fechados com o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), para vice da petista, líderes e dirigentes do partido emitem sinais ao Planalto de que só uma pressão muito forte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode mudar esse cenário.
Meirelles não é citado por nenhum peemedebista de expressão nacional como hipótese de vice. Instados a listar as alternativas para o posto, dirigentes do PMDB só falam em Temer e nos ministros Hélio Costa (Comunicações) e Edison Lobão (Minas e Energia).
Os nomes de Costa (MG) e Lobão (MA) são lembrados sempre depois de Temer, nessa ordem de preferência. "Reeleito presidente, Michel será um candidato completo, representando institucionalmente o partido", afirma o líder peemedebista na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
A cúpula do PMDB acredita que Meirelles foi estimulado a se filiar à legenda para ser uma espécie de "José Alencar da Dilma", cumprindo papel semelhante ao do vice de Lula, que deu segurança ao empresariado para optar pelo petista em 2002. Dirigentes peemedebistas advertem que hoje, no entanto, Dilma precisa tranquilizar o mundo político, não o empresarial.
"A presença de Michel Temer é que dará credibilidade política à chapa PT-PMDB", opina o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao advertir que, se o vice não for alguém com vivência de Congresso, a articulação política do futuro governo ficará mais difícil. "Pode ser o Hélio Costa, pode ser o Lobão, mas o vice ideal é o Temer."
O PMDB avalia que a pressão em favor da escolha de Costa parte do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT). Ele estaria preocupado em tirar Costa da corrida pelo governo mineiro, em que o PMDB lidera todas as pesquisas. "Temer só não seria candidato em uma revisão estratégica para equilibrar a força política da chapa em Minas", diz o líder Alves, referindo-se à hipótese de o PSDB escolher o governador Aécio Neves para vice na chapa do paulista José Serra.