Título: Patrus ganha palanque e sai em defesa de Lula
Autor: Moraes, Marcelo de
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/02/2010, Nacional, p. A4
Em viagem a Unaí, interior de Minas, ministro faz propaganda dos oito anos de governo petista
Sob um calor de mais de 30 graus da cidade de Unaí, localizada na região noroeste de Minas Gerais, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, fala para uma plateia de aproximadamente 500 pessoas. De cima do palanque, já sem paletó, Patrus enxerga as faixas que agradecem sua presença no município para inaugurar três cozinhas e padarias comunitárias, em um repasse total de mais de R$ 627 mil. As faixas, espalhadas por todo o local, são típicas de um comício eleitoral, repletas de elogios ao ministro.
Patrus é pré-candidato ao governo de Minas, mas cumpre, naquele momento, outra tarefa política mais estratégica. Além de inaugurar as cozinhas e padarias, está ali para falar a favor dos "feitos" do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Exatamente como o presidente recomendou a seu primeiro escalão na reunião ministerial há 15 dias. Uma tática conhecida no meio político de Brasília como "bater o bumbo" a favor do governo.
"Estamos acabando com a fome no Brasil", discursa o ministro, para a plateia da cidade mineira, grande produtora nacional de grãos. "E isso é uma conquista histórica. Não é uma conquista só do nosso governo federal. Não é uma conquista apenas do presidente Lula. Não é uma conquista apenas do nosso Ministério do Desenvolvimento Social. É uma conquista da sociedade brasileira."
E Patrus segue. "Quando Lula tomou posse como presidente do nosso país, eu não era ministro ainda. E, como deputado federal, ouvi o discurso do presidente e fiquei muito emocionado no momento em que ele disse: "se no final do meu mandato todas as pessoas tiverem assegurado o direito a três refeições por dia, terei cumprido a missão da minha vida". É bem verdade que a missão do presidente Lula vai além. Ele está cumprindo outras e grandes missões a serviço do nosso povo, especialmente dos mais pobres, daqueles que mais precisam da ação eficaz do poder público para que possam ter melhores e mais dignas condições de vida."
A visita de Patrus à cidade de Unaí é tratada como evento festivo. Mesmo sendo petista, o ministro é recebido com entusiasmo pelo prefeito tucano Antério Mânica, irmão do fazendeiro Norberto Mânica, investigado pelo assassinato de três fiscais do trabalho e um motorista, em janeiro de 2004, quando apuravam denúncias de trabalho escravo na cidade. O próprio Antério foi preso em meio às investigações.
Além de cumprir a tarefa dada pelo presidente de divulgar os feitos do governo, Patrus sabe que também pode colher dividendos eleitorais. Perto de deixar o cargo para disputar um mandato eleitoral, o ministro mineiro busca conquistar votos na região com a entrega das padarias e das cozinhas comunitárias e com a lembrança dos repasses feitos pelo ministério por meio de seus programas sociais, como o Bolsa-Família.
PALANQUE
Sua presença em Unaí atrai outros prefeitos da região. Estão lá no palanque representantes de Paracatu, Arinos e Natalândia. Deputados e vereadores também se espremem de olho na popularidade do ministro.
Patrus quer ser governador de Minas, mas toma cuidado para não transformar o evento num comício explícito e acabar cometendo algum crime eleitoral. No palanque, não pede um voto. Nem para si, nem para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Fora do palanque, porém, confirma a candidatura. "Sou pré-candidato ao governo, com o propósito de realizar no Estado o trabalho que realizamos em Belo Horizonte e estamos realizando agora no ministério. Sou pré-candidato, mas estou aqui hoje como ministro. Numa viagem oficial e não como pré-candidato."
A sucessão mineira representa hoje um dos principais problemas políticos na formatação da aliança nacional entre PT e PMDB. Minas é considerado um Estado estratégico na campanha da ministra Dilma, por ser o segundo maior colégio eleitoral do País. O problema é que a base governista não tem nenhum consenso em torno de quem lançar em Minas.
O PT tem dois pré-candidatos na disputa. Além de Patrus, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel também disputa a indicação. Do lado do PMDB, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, também postula a candidatura e o apoio do PT a seu nome.