Título: Amorim vê chances de acordo com a UE
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Fonte: O Estado de São Paulo, 16/02/2010, Economia, p. B4
Chanceler acredita que pode sair em maio pacto entre Europa e Mercosul
EFE
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, se mostrou ontem convencido de que a União Europeia (UE) e o Mercosul poderão assinar um acordo comercial, embora não definitivo, na cúpula UE-América Latina, em maio, em Madri.
"Acho que podemos, de fato, ter um acordo que possa ser assinado, que não seja simplesmente uma declaração política, na ocasião da reunião de Madri", disse Amorim, após reunião ministerial entre UE e Brasil, na capital espanhola.
"Acho que é possível. Não sei se será o acordo final", ressaltou o chanceler. Para ele, "há uma possibilidade muito concreta de avançar no acordo Mercosul-UE". "Os últimos contatos foram positivos", acrescentou Amorim, para quem o "grande desafio" é conseguir "um acordo ambicioso".
O chanceler fez as declarações ao lado de Katherine Ashton, Alta Representante para a Política Externa e de Segurança Comum da UE, e a Miguel Ángel Moratinos, ministro de Exteriores da Espanha, país que neste semestre exerce a Presidência rotativa da UE.
O relançamento das negociações para um acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul foi um dos principais assuntos tratados. O diálogo para fechar o acordo foram paralisadas em 2004 por divergências em algumas áreas, principalmente na agrícola, mas o governo espanhol faz esforços para impulsionar novamente o processo.
Amorim admitiu que "é uma negociação talvez mais complexa que outras passadas com outros países latino-americanos, porque os países do Mercosul também são grandes litigantes em matéria de agricultura, um tema delicado para a UE".
Segundo o ministro, os membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e a Venezuela em processo de adesão) "são também países relativamente de alto grau de industrialização, o que põe também desafios especiais".
"Mas os avanços nas conversas e a grande disposição política da Presidência europeia e da Presidência do Mercosul, exercida pela Argentina, nos dão a segurança de que é realmente possível avançar." Do lado europeu, Ashton declarou-se "satisfeita com os progressos" nas negociações e ressaltou que "a relação entre a UE e o Brasil é uma das mais importantes e dinâmicas".
Como anfitrião da reunião, Moratinos expressou "grande satisfação" perante "o que será uma boa relação Mercosul-UE graças ao papel e à liderança que o Brasil representa". Ela ressaltou a "grande ambição" da Presidência espanhola da UE em "reforçar as relações" com a América Latina e com "atores globais" como o Brasil.
Os ministros analisaram também a crise gerada pelo programa nuclear do Irã, e Ashton reconheceu que o Brasil, "como potência global", tem um "papel-chave" na resolução do caso. Também foram negociados outros assuntos, como a situação do governo hondurenho de Porfirio Lobo, que o Brasil continua sem reconhecer; a reconstrução do Haiti após o terremoto e a ameaça da mudança climática.
Bruxelas considera o Brasil um parceiro estratégico por sua condição de potência emergente. Além disso, a União Europeia é o maior parceiro comercial do Brasil e o maior investidor no país sul-americano