Título: Fala de presidente esquenta polêmica
Autor: Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/02/2010, Nacional, p. A6
Declaração anima defensores de palanque único para Dilma nos Estados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva animou os defensores de palanque único para a ministra Dilma Rousseff nos Estados, ao sustentar a tese de que pedir votos para dois candidatos diferentes a governador confunde o eleitorado e pode atrapalhar a disputa presidencial. Em entrevista na semana passada ao Estado, o presidente considerou "impossível", "incompreensível" e "desagradável" a pré-candidata do PT à Presidência "ir a dois palanques em um Estado, um de manhã e outro à noite".
Por outro lado, os partidários de palanques duplos cobraram tratamento igualitário durante a campanha eleitoral. Eles argumentam que, onde não houver unidade, o presidente e a candidata petista devem fazer o discurso de que, seja quem for o aliado vitorioso, terá a parceria do governo federal.
Lula reforçou a posição do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que na segunda-feira de carnaval cobrou de Dilma presença somente em seu palanque e distância do candidato do PR, o ex-governador Anthony Garotinho. Além do Rio, o cenário é de disputa entre governistas em Minas e na Bahia - todos entre os quatro maiores colégios eleitorais do País.
Aliados do presidente discordaram da previsão de Lula de que Dilma poderá ficar longe dos Estados onde não houver acordo. Para eles, o presidente levantou essa hipótese extrema para estimular o entendimento onde a situação é mais grave.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), que enfrentará o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), afirmou que a unidade é ideal, mas, quando for impossível, não ir a determinado Estado será mais prejudicial do que dois palanques. "Quero lembrar que a ruptura na Bahia foi provocada pelo PMDB. Se Dilma resolver ir nos dois palanques, não me oponho. Será um prejuízo para ela não ir nos Estados onde não há unidade da base", disse.
Geddel evitou entrar na discussão sobre vantagens e desvantagens do duplo palanque. "Este é um tema que será tratado pela direção nacional do meu partido e não vão me puxar para esta polêmica agora. Tenho experiência suficiente para não me estressar ", afirmou. "Confio muito na lealdade do presidente Lula e prefiro preservar a certeza de que não vou me enganar."
Representantes da cúpula do PMDB afirmam que as regras e critérios da parceria nos Estados onde há disputa com o PT serão fixados quando for fechado o acordo nacional. Mas o critério do qual a cúpula do PMDB não abrirá mão é o tratamento público igualitário - se Lula gravar mensagem para o programa de um candidato do PT, terá de fazer o mesmo para o concorrente do PMDB, ou não gravar nada para nenhum dos dois.
"NÃO FUNCIONA"
Ministro das Comunicações, o peemedebista Hélio Costa reiterou a tese de que o candidato de Dilma ao governo de Minas seja escolhido com base em pesquisas eleitorais e unifique PT e PMDB. "Palanque duplo não funciona em Minas", afirmou. Lula defendeu a posição de Costa e criticou os petistas Patrus Ananias e Fernando Pimentel, que disputam a candidatura.
Já o presidente do PT mineiro, deputado Reginaldo Lopes, ligado a Pimentel, diz que, por serem oposição ao PSDB do governador Aécio Neves, PT e PMDB não devem temer duas candidaturas entre os aliados de Dilma. "PT e PMDB podem fazer campanha de respeito mútuo, em que os dois subam juntos no palanque da Dilma."
Ex-aliado e hoje adversário de Cabral, Garotinho lembra que a posição de Lula contra o palanque duplo não é compartilhada por petistas como o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). "Eles já disseram que a situação no Rio está resolvida. Se eu vou apoiar a Dilma e ela quer os votos das pessoas que me apoiam, vai ter que subir no meu palanque", afirmou o ex-governador.
LUCIANA NUNES LEAL e CHRISTIANE SAMARCO