Título: Lula usará Minas para destravar palanques
Autor: Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/02/2010, Nacional, p. A6
Cúpula do PT e PMDB se reúne na tentativa de definir acordo
Preocupado com as divergências que têm impedido a montagem de palanques unitários entre o PT e o PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tomar as rédeas da negociação para enquadrar a seara petista e reduzir os impasses regionais até março. O comando dos dois partidos marcou nova reunião para amanhã, na tentativa de definir um acordo de cavalheiros que acerte as regras do jogo em Minas Gerais - o segundo maior colégio eleitoral do país, depois de São Paulo - e faça a revisão dos principais imbróglios estaduais.
Lula está convencido de que é preciso reproduzir a dobradinha PT-PMDB no maior número de Estados para impulsionar a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Em conversas reservadas, ele tem dito que o PT manterá na disputa os governadores que podem concorrer à reeleição, mas deve ceder a cabeça da chapa, em nome da parceria, nos locais cobiçados pelo aliado federal.
"Não é compreensível para a sociedade essa história de dois palanques. Isso não existe", afirmou Lula em entrevista ao Estado, na semana passada. "O que vai acabar acontecendo é que Dilma não poderá ir a alguns Estados. Nem eu. Como eu posso ir na zona leste com um candidato e na zona sul com outro? Qual o discurso que eu faço? O que eu digo para o eleitor sobre qual o melhor? Não pode, fica muito desagradável."
Pouco antes da meia-noite de sexta-feira, Lula se reuniu com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), no Palácio da Alvorada, e prometeu se empenhar por palanques únicos. Foi obrigado a apagar o incêndio provocado na véspera, quando o PMDB ameaçou não comparecer no sábado ao ato de lançamento da pré-candidatura de Dilma, no 4º Congresso do PT.
"Não estamos impondo nada, mas, para o casamento se consolidar, os noivados estaduais precisam ser respeitados", insistiu o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). "O governo não vai querer contratempo com o maior partido da coligação, que tem o maior tempo para oferecer na propaganda eleitoral."
Depois de Lula dar sua palavra ao PMDB de que o partido também indicará o vice na chapa de Dilma - apesar das resistências nos bastidores ao nome de Temer -, caciques peemedebistas foram ao megaencontro do PT. Lá, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), procurou Temer, e os dois acertaram um tête-à-tête, nos próximos dias, sobre a novela mineira.
Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, medem forças no PT de olho na vaga de candidato ao governo de Minas. O problema é que o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), também quer entrar na briga. "Continuo pré-candidato, mas não fecho a porta para o acordo. Somos maduros para entender que não tem sentido uma prévia no PT nem dois palanques para Dilma", disse Pimentel, que integra o núcleo de coordenação da campanha da ministra.
O critério para a tentativa de pacto inclui uma bateria de pesquisas quantitativas e qualitativas entre Pimentel, Patrus e Costa, entre março e abril. "Temos de aferir o efeito Anastasia sentado na cadeira de governador", afirmou o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, numa referência ao vice-governador mineiro Antonio Anastasia, que assumirá o cargo quando Aécio Neves (PSDB) sair, no fim de março, provavelmente para disputar o Senado.Detalhe: Anastasia é o nome indicado por Aécio para a sua sucessão.