Título: Marina articula palanques estaduais
Autor: Arruda, Roldão
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/02/2010, Nacional, p. A9
Pré-candidata do PV à Presidência inicia maratona de viagens por MG, onde terá de vencer algumas resistências
A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência da República, vai se dedicar nas próximas semanas à montagem de palanques de campanha nos Estados. O primeiro a ser visitado, após o carnaval, será Minas Gerais - uma das cinco unidades federativas nas quais o comando da campanha da senadora não abre mão de candidato próprio. Os outros lugares são Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia.
Em Minas, a principal tarefa de Marina e da cúpula do PV que a acompanha na viagem será vencer as resistências de uma parte dos verdes locais - ainda não convencida de que o partido deve ter candidato próprio. Eles preferem uma aliança com o governador Aécio Neves (PSDB) em torno do provável candidato tucano, o vice-governador, Antonio Anastasia.
"Pretendemos resolver tudo sem quebrar ovos, mas, se for preciso, vamos quebrar", observa o vice-presidente do PV, Alfredo Sirkis, referindo-se à decisão que o partido já teria tomado sobre a polêmica.
Além de definir que haverá candidato próprio, Marina deve sair de Minas também com o nome do pré-candidato já consagrado. Será o deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira (filho de José Aparecido Oliveira, que foi ministro da Cultura no governo de José Sarney).
De acordo com informações do ex-deputado Luciano Zica, que trabalha nas articulações políticas da candidatura verde, já está acertado o lançamento de candidatos próprios nos Estados de Pernambuco, Santa Catarina e Paraná. "Nesses três lugares também estão definidos os nomes dos futuros candidatos", informa. "A nossa maior dificuldade neste momento é o Rio Grande do Sul."
Em São Paulo, o nome mais cotado é o do ex-deputado Fábio Feldman. Historicamente envolvido com as questões ambientais, ele era filiado ao PSDB, de onde saiu em 2003 para se ligar ao PV.
Embora otimista com a possibilidade de crescimento de Marina nas pesquisas, ele ainda não deu resposta ao partido sobre sua candidatura. Uma das principais dificuldades do PV em São Paulo - assim como em outros Estados - é o fato de sua bancada parlamentar estar envolvida com projetos políticos alheios. No caso paulista divide-se entre o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, e governador tucano José Serra.
Até agora a candidatura mais tranquila em termos estaduais é a do deputado federal Fernando Gabeira, que deve disputar o governo do Rio. No Distrito Federal está definido que o partido abrirá mão de candidato próprio caso o senador Cristovam Buarque (PDT) concorra. Assim como Marina, ele fez parte do ministério do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A intenção da candidata verde é apoiá-lo
PROGRAMA
Nos próximos dias também deverá ser montado o comitê de campanha de Marina, com a definição dos principais nomes. Em abril, o PV fará um congresso para rever seu programa.
A explicação oficial é a necessidade de atualizá-lo, em função de mudanças nas concepções sobre preservação ambiental e também por causa de medidas que já foram postas em prática pelos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula. Extraoficialmente sabe-se que a alteração do programa foi uma das condições acertadas por Marina para sair do PT e assinar a ficha verde.
"O programa do partido foi redigido em 1994 e ainda continha resquícios do tempo da Guerra Fria", diz Sirkis. "Passou por um processo de revisão em 2004, mas sem grandes polêmicas. Agora está na hora do grande debate."
Os assessores mais próximos de Marina consideraram positivos os resultados da apresentação da candidata em horário gratuito de TV, na quinta-feira. Ela teria deixado claro em dez minutos de apresentação o tom da campanha: evitará confrontos diretos com o PT e o PSDB, reconhecendo os avanços obtidos nos governos de Fernando Henrique e Lula.
Apesar das especulações em torno do candidato que os verdes apoiariam num eventual segundo turno, a ordem no PV é para evitar qualquer conversa a respeito. "Acreditamos que Marina vai para o segundo turno", afirma Zica.