Título: Lula diz que pretende ser 'paradigma' para sucessores
Autor: Rosa, Vera; Nossa, Leonencio
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/02/2010, Economia, p. A6
Para ele, quem vier depois não tem direito de fazer menos
BRASÍLIA Empolgado com os resultados da pesquisa que aponta aumento de sua popularidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que espera agora servir de modelo para os próximos administradores públicos. "Deus queira que daqui para frente eu seja um paradigma para quem vier depois de mim. Quem vier governar este país depois de mim não tem o direito de fazer menos do que eu. Não tem esse direito", declarou o presidente, em tom de campanha, ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Em uma solenidade realizada no Alvorada Brasília Hotel ? para comemorar números de 2009, quando 78 escolas técnicas foram inauguradas pelo Ministério da Educação ?, o presidente disse que antes de seu governo a educação era nivelada por baixo. "Nós aprendemos nestes oito anos, e todas as dificuldades foram superadas. Daqui para frente a tendência é a gente fazer com mais facilidade e fazer muito mais", disse, referindo-se a Dilma.
"Tudo que a gente puder fazer pela educação ainda é pouco pela quantidade de anos em que não fizeram nada", afirmou. "Nós temos de correr, correr pra fazer mais". E reforçou elogios à pré-candidata à sua sucessão, "Se a companheira Dilma não estivesse na coordenação, as coisas demorariam um pouco mais."
Lula aproveitou a ocasião para novamente atacar seus opositores, ao dizer que está "convencido de que não existe nada mais sagrado em um País que dar aos jovens uma oportunidade". Disse ainda que o Brasil estava conformado com a ideia de que "escola é para a classe média alta e pós-graduação para rico", e que " pobre tira diploma primário e vai trabalhar que já está bom demais".
Lula chamou de "ignorantes" os que acusam as pessoas que recebem o Bolsa-Família de não querer trabalhar. "Nós estamos há sete anos dando aumento consecutivo e nem quebrou a Previdência nem aumentou a inflação."
DESEMPREGO
Enquanto o presidente Lula comemorava resultados no ano passado na área de educação, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), inaugurava 25 salas de aula da Faculdade de Tecnologia (Fatec) em Sorocaba (SP).
Durante o evento, o tucano criticou a alta taxa de desemprego entre os jovens. "Estamos oferecendo oportunidades de trabalho futuro, que é o que o Brasil mais precisa", enfatizou. "Não esqueçamos que a taxa de desemprego entre os jovens, nos últimos 20 anos, triplicou no nosso país."
Considerada uma das principais vitrines do governo do PSDB em São Paulo, o investimento em faculdades e escolas técnicas é apontado por tucanos como um dos trunfos de José Serra no ano eleitoral. Antes de assumir o governo, em 2006, Sorocaba contava 3.500 vagas nas escolas e faculdades técnicas na região. Para este ano, o número de vagas será de 8.800 de acordo com informações do próprio governador.
COLABOROU JULIA DUAILIBI