Título: Lula diz que para de fumar, mas não muda agenda
Autor: Nossa, Leonencio; Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/02/2010, Nacional, p. A7
Presidente manterá ritmo de viagens, embora ideia seja participar de menos eventos nas cidades que visitar
BRASÍLIA
Sob pressão de médicos e de amigos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu parar de fumar cigarrilhas, mas avisou que manterá o ritmo de viagens pelo País para promover obras do governo e a campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pela Presidência. Na última quarta-feira, ele sofreu uma crise de hipertensão durante uma viagem ao Recife.
Um auxiliar contou que o presidente nos últimos meses estava abusando das cigarrilhas holandesas da marca Café Crème - uma caixinha com dez unidades sai por cerca de R$ 15. Ao mesmo tempo, Lula reduziu o tempo dedicado aos exercícios físicos e não estava almoçando nas viagens para atender a demanda de entidades e autoridades das cidades que visitou.
Amanhã, ele e Dilma estarão no Rio de Janeiro para visitar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na sexta-feira, os dois irão para Porto Alegre, onde conhecerão um projeto de casas populares.
A partir de agora, ele participará de menos eventos nas viagens, que costumam ter até três atos públicos e uma série de encontros com políticos e representantes de entidades sociais. O Planalto avalia que agendas carregadas de viagem não surtem efeito de mídia e publicidade, servindo mais aos interesses locais do que ao próprio governo. Por isso, Lula deverá participar de eventos mais selecionados nas cidades que visitar.
Os assessores sabem que dificilmente o presidente reduzirá o ritmo de trabalho. A orientação no Planalto é dosar a agenda, evitando que Lula chegue, por exemplo, de madrugada ao trabalho e já tenha compromisso às 7 horas do dia seguinte. A intenção, também, é evitar eventos noturnos, porque o presidente mantém o hábito de acordar às 6 horas.
BOM HUMOR
Ontem, na primeira aparição em evento público, o presidente, mesmo demonstrando bom humor, não conseguiu esconder um pouco do abatimento. Ele chegou brincando à cerimônia de abertura do ano do Judiciário, no Supremo Tribunal Federal, comemorando a vitória do Corinthians no fim de semana e, depois, no discurso, quando falou sobre a aceleração dos julgamentos de ações.
Após a solenidade, seguiu para o CCBB, onde participou da reunião de avaliação do programa Territórios da Cidadania. Ao contrário do habitual, pontualmente às 13 horas Lula suspendeu a reunião, avisou que precisava sair para almoçar e foi para o Palácio da Alvorada, onde a primeira-dama o esperava. Ele só regressou perto das 15 horas, retomando a reunião.
Em entrevista ao programa de rádio Café com o Presidente, divulgado na manhã de ontem, Lula disse que a sua agenda "muito pesada" resultou na crise de hipertensão na semana passada. Ele disse que teme os efeitos de uma redução no ritmo de trabalho. "Tem um problema agora. Se o governo começa a afrouxar na agenda, começa a deixar as coisas acontecerem, dá a impressão de que o governo acabou, mas falta um ano", disse. Lula afirmou que terá "um pouco mais de cuidado" com a saúde e continuará trabalhando e viajando. "Eu tenho uma saúde muito boa, graças a Deus, mas a gente não pode brincar."