Título: Presidente da Câmara do DF ganha apoio para governar
Autor: Pires, Carol
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/02/2010, Nacional, p. A9

Em mais uma tentativa de evitar intervenção, maioria dos deputados distritais decide dar sustentação a um eventual governo de Wilson Lima

Diante da ameaça de a linha sucessória no Distrito Federal entrar em colapso, a maioria dos 24 deputados distritais está decidida a dar apoio a um eventual governo do presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR). A articulação para dar sustentação ao futuro governador é mais uma tentativa da Câmara Legislativa de evitar a intervenção federal e, dessa forma, garantir a manutenção da linha sucessória no DF.

A ideia é fazer uma "limpeza ética" e cassar os mandatos dos envolvidos no escândalo do mensalão do DEM. Nos próximos dois meses, os distritais pretendem aprovar o impeachment do governador licenciado, José Roberto Arruda (sem partido), e do governador em exercício, Paulo Octávio (DEM). Querem ainda cassar o mandato de pelo menos três dos oito distritais flagrados recebendo dinheiro, durante as investigações da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.

O fantasma da intervenção ficou mais forte depois que o presidente do Tribunal de Justiça do DF, Nívio Gonçalves, deu sinais de que não pretende assumir o governo. Apesar de ser o quarto na linha sucessória - depois de Paulo Octávio, Wilson Lima e o vice-presidente da Câmara Legislativa, cabo Patrício (PT) -, o nome do desembargador vem sendo apontado como o único capaz de evitar a bagunça e a acefalia político-administrativa que se instaurou no DF com a prisão de Arruda.

Depois do vaivém de Paulo Octávio, que desistiu de renunciar ao cargo de governador, os deputados distritais articulam dar condições para que Wilson Lima faça um governo de coalizão e comande o Distrito Federal até o fim deste ano. Os distritais estão convictos de que Paulo Octávio não tem condições de continuar no cargo, uma vez que sequer conta com o apoio de seu partido, o DEM.

"Vejo com muita dificuldade o Paulo Octávio conseguir o apoio dos parlamentares da Câmara Legislativa sem que o próprio partido dele o apoie", disse ontem o deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), que é relator dos oito processos contra deputados distritais envolvidos no escândalo do mensalão do DEM. "O Paulo Octávio não tem mais condições de sustentação de seu governo pela Câmara. Ele criou uma instabilidade muito grande na crise do governo do Distrito Federal", afirmou o líder do PT, Paulo Tadeu.

O clima de irritação com Paulo Octávio atingiu o clímax quando, na quinta-feira, o governador em exercício avisou que renunciaria ao cargo, mas acabou desistindo no último momento. Certo de que seria o próximo a sentar na cadeira do chefe do Executivo, Wilson Lima chegou a dar entrevista a um jornal local como se fosse governador.

Na ocasião, expressou sua disposição de fazer um governo de coalizão, chamando todos os deputados, e até cogitou mudar-se para a residência oficial do governo, em Águas Claras. Diante da permanência de Paulo Octávio no cargo, Lima correu para aprovar, junto com os 14 distritais presentes à sessão da Câmara anteontem à noite, o pedido de abertura de impeachment contra o governador em exercício.