Título: Preferiria não assumir sequer um dia o governo do DF
Autor: Pires, Carol
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/02/2010, Nacional, p. A9

Último na linha sucessória para assumir o governo do DF, presidente do TJ diz achar difícil a normalização da vida política

Nascido em Montes Claros (MG) e radicado em Brasília desde 1979, o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), Nívio Geraldo Gonçalves, disse ontem ao Estado que prefere "não assumir sequer um dia" o governo do DF. Ele é o último da linha sucessória para o cargo de governador.

O senhor disse que acompanhava os desdobramentos políticos no DF indignado.

Como todo brasileiro, acompanho tudo com muita tristeza e preocupação. Brasília não merece o que está ocorrendo, não só com o Legislativo, mas com o Executivo também.

Qual seria a melhor saída?

Seria a normalização da vida política, o que é difícil. Acho que só vai ser conseguida nas próximas eleições.

O senhor é a favor da intervenção?

Não posso falar sobre isso. Cabe ao STF avaliar.

O governador José Serra disse que o governo do DF perdeu a legitimidade. O senhor concorda?

Concordo.

Segundo a Lei Orgânica, com uma renúncia em série o senhor se tornaria governador do DF.

A Constituição diz que, na linha sucessória, vem o governador, o vice, o presidente da Câmara e depois o presidente do TJ. O vice da Câmara só existe na Lei Orgânica, que confronta e viola a Constituição.

O senhor se vê como governador?

Preferiria não assumir sequer um dia o governo do DF, principalmente em uma época dessas. Só o farei se for por determinação da Constituição Federal. Só assumirei se a Constituição Federal me determinar. Mas, de forma alguma, não quero isso.

No encontro que o senhor teve com Paulo Octávio e o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), foi cogitada uma renúncia deles para lhe entregar o cargo de governador?

Em momento nenhum. Fui visitado apenas por cortesia. Paulo Octávio veio me dizer que estava lutando pela regularidade do governo.