Título: Deputado que colocou dinheiro na meia será processado no Legislativo
Autor: Colon, Leandro ; Recondo, Felipe
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/02/2010, Nacional, p. A4
Dos nove deputados distritais contra quem o corregedor da Câmara Legislativa sugeriu investigação por quebra de decoro parlamentar, apenas três responderão a processo. São eles: Leonardo Prudente (sem partido, ex-DEM), Eurides Brito (PMDB) e Júnior Brunelli (PSC), os casos mais críticos por terem sido filmados recebendo dinheiro de suposta propina do esquema de corrupção.
Por acordo, os demais deputados escaparam de responder a processo, pelo menos por enquanto. Cabo Patrício (PT), o único da oposição que estava na berlinda, teve o pedido de investigação extinto.
Nos bastidores, é dada como certa a renúncia dos três deputados investigados para evitar a cassação. Desde o início da semana, a deputada Eurides tem negado a possibilidade de fugir do processo. Fora dos microfones, porém, admite a renúncia.
Ontem, após a abertura da ação, a assessoria divulgou nota afirmando que, para a parlamentar, "a instauração do processo será a oportunidade para esclarecer todos os fatos".
Os relatores de cada um dos processos também foram sorteados ontem. O caso de Prudente - flagrado em vídeo colocando dinheiro nas meias - será relatado pelo deputado Batista das Cooperativas (PRP), da base governista. O relator da ação contra Eurides será Bispo Renato (PR), presidente da Comissão de Ética. Brunelli terá seu processo relatado por Érika Kokay, do PT.
Cabe a cada relator intimar os acusados, que terão prazo de 30 dias para apresentar defesa. Se os deputados renunciarem aos mandatos antes de serem notificados, a ação será extinta. Após a notificação, mesmo renunciando, não ficam livres de, ao final do processo, ter a inelegibilidade decretada.
Os outros seis deputados contra quem o corregedor pediu processo tiveram destinos diferentes. O Conselho de Ética decidiu adiar a análise de cinco casos: Benício Tavares (PMDB), Benedito Domingos (PP), Rogério Ulysses (sem partido, ex-PSB), Roney Nemer (PMDB) e Aylton Gomes (PR).
Os seis nomes são citados no inquérito da Operação Caixa de Pandora como beneficiários do esquema de cobrança de propina entre empresas contratadas pelo governo, mas, segundo entendeu a Comissão de Ética, as provas não são suficientes para abertura de processo.
Foram os próprios denunciados que costuraram um acordo, pouco antes da votação. Oficialmente, a resposta foi que, sem a conclusão do inquérito, não seria possível provar se os deputados eram culpados. "Não haverá nenhuma tentativa de enrolação. A comissão não inocentou ninguém. Apenas deixamos sobrestados outros cinco", resumiu Batista das Cooperativas.