Título: OAB lidera movimento contra pedido de Gurgel
Autor: Colon, Leandro ; Recondo, Felipe
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/02/2010, Nacional, p. A4

Começa a crescer no Distrito Federal um movimento contra a intervenção federal pedida pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, na esteira da descoberta de um esquema de corrupção que arrola do governador José Roberto Arruda, preso pela PF, a um terço da Câmara Legislativa. O movimento é liderado pelas seccionais da OAB, da Câmara dos Dirigentes Lojistas e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio).

O discurso está afinado entre os representantes das três entidades: apesar da crise, a cidade está funcionando, dizem. O senador Adelmir Santana (DEM), presidente local da Fecomércio, lista ainda outras duas razões para não haver intervenção. A primeira, segundo o senador, foi a posse do governador interino Wilson Lima (PR), que suspendeu pagamentos a contratos firmados com empresas investigadas no inquérito da Operação Caixa de Pandora e pediu prioridade ao Tribunal de Contas na análise destes contratos. "Existe uma linha sucessória e deve ser respeitada. Mas, claro que, apesar de ele ser um governador temporário, tem que dar sinalizações de que não é um apêndice do passado", defende Santana.

O outro argumento, segundo o senador, é de que uma eventual intervenção poderia prejudicar a economia local, uma vez que o presidente da República pode nomear para o governo uma pessoa alheia aos problemas locais.

"Não sabemos como funciona uma intervenção fora do governo militar. Wilson Lima foi eleito democraticamente como deputado e presidente da Câmara pelos seus pares", completa o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, Vicente Estevanato.

MOVIMENTO

Nos próximos dias, representantes de outros setores produtivos do DF serão procurados para endossar o movimento contra a intervenção. A OAB pretende apresentar petição ao STF elencando as razões pelas quais a corte deveria negar a intervenção.