Título: Fichário do Dops vai para Arquivo Público
Autor: Arruda, Roldão
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/02/2010, Nacional, p. A10

Documentos foram localizados em sala do Palácio da Polícia, em Santos

O Departamento de Polícia de Interior de São Paulo (Deinter) deverá encaminhar ao Arquivo Público do Estado fichas e prontuários do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) que foram localizados recentemente em Santos, no litoral paulista. O arquivo, desativado em 1983, estava esquecido em uma sala do Palácio da Polícia, no centro da cidade.

Segundo o delegado assistente Fabiano Genofre, da seção santista do Deinter, a redescoberta ocorreu quando a sala onde estavam os fichários passou a ser utilizada por funcionários da área de comunicação. Encarregado da manutenção do material, o delegado ainda não sabe exatamente qual é o volume de informações contidas ali.

"São prontuários com informações sobre pessoas que tinham suas atividades vigiadas", disse. "As informações só têm interesse histórico."

O Arquivo Público ainda não recebeu nenhuma informação oficial sobre o antigo arquivo do Dops. Mas, de acordo com informações da chefia do Deinter, os pesquisadores daquela instituição serão convidados nos próximos dias para avaliar melhor o material localizado.

Pesquisadores ouvidos pelo Estado acreditam que pode ser uma importante descoberta. "Ainda não sei o que existe nestes prontuários, mas sabemos que Santos é uma cidade com o passado caracterizado pela agitação política", disse o pesquisador Rodrigo Rodrigues Tavares, mestre em história social e autor do livro A Moscouzinha Vermelha - que trata justamente das atividades da esquerda santista no período que antecedeu a ditadura militar.

Criado em 1924, o Dops atuou como polícia política até 1983, quando a ditadura militar chegava ao fim. De 1986 para cá, os arquivos da antiga instituição vêm sendo reunidos no Arquivo Público do Estado, onde estão à disposição de estudiosos e do público cerca de 184 mil prontuários.

Para a historiadora Maria Luiza Tucci, livre-docente do Departamento de História da USP e coordenadora do Projeto Integrado do Arquivo Público, o Dops vigiou comunistas, anarquistas, integralistas, fascistas, estudantes, operários, feministas e pessoas envolvidas em atividades políticas. Ela acredita que ainda existam outros arquivos como o de Santos espalhados pelo Estado e ainda não identificados.