Título: Acordo prepara palanque único para Dilma no Estado
Autor: Samarco, Christiane ; Kattah, Eduardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/03/2010, Nacional, p. A6
Ministro convence Pimentel de que candidato local deve ser indicado por meio de levantamentos internos
BELO HORIZONTE No momento em que a candidatura da ministra Dilma Rousseff ganha musculatura, o PT e o PMDB em Minas Gerais formataram um acordo para que a pré-candidata petista conte com um palanque único no segundo maior colégio eleitoral do País. O principal sinal é o entendimento entre o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB).
Líder nas pesquisas de intenção de voto, Costa conseguiu fazer valer sua proposta de que levantamentos internos definam o nome da base aliada que concorrerá à sucessão do governador Aécio Neves (PSDB). Ontem, após participar de um evento com o governador tucano, o ministro disse que está "fechado" com a candidatura de Dilma e previu um "pronunciamento conjunto" dentro de duas semanas. "Estamos muito bem posicionados para fazer um entendimento." Petistas e peemedebistas, no entanto, acreditam que a definição se dará somente depois de estabelecidas as chapas para a disputa pela Presidência.
DISPUTA
O PT já demonstra resignação e abrandou o discurso em torno da candidatura própria. Ontem, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias ? que também disputa a indicação do partido ?, admitiu que estuda permanecer no ministério até o fim do governo caso sua pré-candidatura não se viabilize. Pimentel, por sua vez, encampou a tese do palanque único, como quer Lula. Ele defendia a possibilidade de dois palanques, mas para não ameaçar o acordo nacional com o PMDB já indicou que não fará da defesa da candidatura própria um cavalo de batalha.
Recentemente, em reunião da coordenação da campanha de Dilma, ele admitiu retirar-se da disputa em favor do ministro das Comunicações, com quem mantém uma relação conflituosa desde a eleição para a Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008. A pré-candidatura de Pimentel também ficou abalada após denúncias contra sua gestão na prefeitura da capital. Peemedebistas mineiros ressaltam nos últimos 20 dias o ex-prefeito trocou o discurso "muito radical" por um "mais flexível".
"Ao longo do processo, que vai ser agora março, abril, até maio, nós vamos definir, vamos fazer pesquisas, vamos examinar os cenários eleitorais e vamos ver qual é o melhor desenho para a gente disputar as eleições em Minas", afirmou Pimentel. "Nunca houve nenhum afastamento pessoal entre o ministro e eu. Estamos conversando com o PMDB porque queremos construir em Minas um palanque unificado".
Pimentel só não admite ceder em favor de Patrus Ananias, que, contudo, demonstra desapego com a disputa pelo governo. Em Contagem (MG), durante evento na Ceasa, o ministro disse que tem um mês para definir se desincompatibiliza do cargo ou não. "Gosto muito do Executivo. Tive experiências muito exitosas. Tenho respeito ao Legislativo, mas prefiro o Executivo. Se for para disputar o governo de Minas, é claro que disputarei. Se não for, vou pensar na possibilidade de permanecer no Ministério até o final do ano".
ALENCAR
Os dois lados também minimizam a possibilidade de o impasse ser resolvido com a candidatura do vice-presidente José Alencar (PRB). A estratégia irritou o PMDB, que viu nela uma rasteira nas pretensões do ministro. "Esse é um assunto que já está velho", disse Costa, salientando que o vice já manifestou o desejo de concorrer ao Legislativo. "Se ele estiver em condições de saúde, ele será candidato e vai ter apoio de todo mundo. Agora, eu acho que é pouco provável que o nosso querido vice se disponha a esse sacrifício", reforçou Pimentel.